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O teste para a nossa democracia
MESTRE EM ECONOMIA, DOUTORANDO EM CIÊNCIAS POLÍTICAS E PROFESSOR DA UNIVERSIDADE METODISTA DE SÃO PAULO
Edgar Nóbrega
A retomada da proeminência do senador Renan Calheiros na política nacional não deve ser examinada isoladamente.
Nesse sentido, um certo modo de olhar pode fazer desse retorno apenas mais um episódio negativo, que contribui para um processo de desgaste de nossa democracia e de nossas ainda tênues instituições políticas. Entretanto, quando analisamos a presença do senador como líder do maior partido do País, podemos entendê-lo como mais um teste para o fortalecimento de nossa democracia e do sistema político.
Para mim, a democracia é elemento estratégico da agenda nacional.
Se os partidos possuem autonomia, se as questões relacionadas inclusive à vida privada do senador foram discutidas e se há processos tramitando e que ainda não foram julgados, a presença de Renan Calheiros no espaço público revela que as engrenagens do poder não são superficiais. Não se deixam afetar, como poderia parecer, pela manipulação midiática da opinião pública, levada a fazer parecer de todos o que é, por vezes, desejo de alguns poucos. O poder tem raízes profundas e é preciso reconhecer que as democracias representativas surgiram e se consolidaram não para fazer revoluções, mas para promover mudanças, quase sempre lentas e graduais.
Para quem aprendeu a fazer política antes da queda do Muro de Berlim as mudanças recentes no posicionamento dos partidos e de importantes personalidades públicas não são pequenas.
A revolução que planejamos não aconteceu, mas aprendemos a conviver com caminhos instáveis e com alternativas mais complexas.
Do velho discurso petista, onde todas as divergências eram tratadas como “coisa de adversários” ou qualificadas quase sempre com adjetivos pouco nobres, fomos ao reconhecimento do fato de que governar pressupõe fazer escolhas, diante de uma realidade e de alternativas que muitas vezes são impostas.
O sentido desta reflexão pode ser fortalecido em razão do ambiente econômico internacional que agora acompanhamos.
É preciso reconhecer que a crise econômica e seus impactos não estão a requerer a necessidade de exorcizar uma determinada teoria econômica e muito menos uma visão de mundo. Creio que o momento é propício para novas perspectivas.
Do mesmo modo, a análise da presença do senador Renan na política requer reflexão, para que não sejamos traídos pela bolsa de apostas de uma política que caminha atrelada ao termômetro do humor político circunstancial. Se assim for, devemos apenas esperar a revelação do próximo escândalo desse ou de outro político. Mas, se a nossa régua é a crença na democracia e na capacidade transformadora das instituições, ainda há muito para refletir.
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