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Sábado, 14 fevereiro de 2009   edições anteriores
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  1º caso de dengue é nos Jardins

Jovem de 23 anos teve diagnóstico confirmado pelos médicos, no primeiro caso do ano

Fernanda Aranda, fernanda.aranda@grupoestado.com.br

O bairro do Jardim Europa, região nobre da capital, é o endereço do primeiro caso de dengue do ano. Paulo Paladino, de 23 anos, teve o resultado positivo para a doença confirmado pelos médicos de um hospital particular, no dia 3 de fevereiro. A Secretaria Municipal de Saúde diz que ainda não foi notificada, mas afirmou que uma operação para eliminar os criadouros do mosquito transmissor será realizada na região. Segundo a pasta, será recomendado, nos hospitais locais, que informem todos os possíveis novos registros de doentes.

Paladino não deve ser a única vítima da dengue no distrito. Sua colega de trabalho está afastada do serviço desde segunda-feira e com os sintomas do vírus - febre, dor no corpo, manchas vermelha. No prédio onde trabalham, na Avenida Faria Lima, mais pessoas estão com medo do Aedes aegypti. “Tudo por causa de uma piscina em uma casa que está fechada, aqui perto, na Rua Antônio José da Silva, que acabou acumulando lixo, água da chuva e virou foco de dengue”, contou Marília Casseb, chefe de Paulo Paladino e da outra funcionária. “Já tentamos diversas vezes falar com a proprietária da casa sem sucesso”, disse Celina Martins, que também trabalha no edifício vizinho da piscina problemática. “Procuramos a Vigilância Sanitária. Estamos com receio de virar infestação.”

Segundo a secretaria, todos os testes confirmatórios da doença precisam passar pela análise do Centro de Zoonoses Municipal antes de entrar para as estatísticas da doença. Ontem, ainda de acordo com a secretaria, uma equipe foi ao local denunciado, mas encontrou o terreno fechado. Hoje, novas tentativas para acionar os donos serão tomadas.

Por causa de casos semelhantes, no mês passado a Prefeitura de Mongaguá, litoral sul do Estado, decidiu multar em até R$ 720 os moradores, comerciantes, donos de imóveis e locatários que tiverem criadouros do mosquito da dengue em seus imóveis.

Dengue de férias

Antes de Paladino, a dengue ficou um bom tempo sem causar problemas na cidade. Foram seis meses, de junho a novembro, sem um único registro. Foi então que, em dezembro, duas suspeitas foram confirmadas e o balanço de 2008 fechou em 207 casos, espalhados por 71 dos 97 distritos da cidade. Em 2009, até então, não havia confirmações.

Para os infectologistas, por causa das chuvas que assolaram a cidade no último final de semana, a população precisa ficar em alerta. A água acumulada é terreno fértil para a proliferação do Aedes. Atrelado às temperaturas altas do verão, a procriação do inseto é ainda mais rápida já que, nessas condições, o ciclo entre o ovo e o mosquito, normalmente de 15 dias, encurta para apenas cinco dias.

Mas, ao contrário dos casos do bairro Jardim Europa, uma pesquisa do Ministério da Saúde divulgada no fim do ano passado mostrou que, em São Paulo, o perigo da dengue “mora” dentro das residências. No mapeamento, foi identificado que 41,7% dos criadouros do mosquito Aedes aegypti são recipientes de lixo, 38,9% são vasos de plantas e 19,4%, caixas d’água.

Por isso, a contribuição da população é considerada peça fundamental para evitar novos contágios. O hábito de não deixar água parada, colocar terra nos vasos de planta e tampar os reservatórios são apontados como grande responsáveis para a queda dos casos de dengue no últimos anos. Os 207 do ano passado representam baixa de 92,1% comparado aos 2.624 confirmados em 2007, quando o recorde histórico da doença foi alcançado em São Paulo.



COMO EVITAR

Mantenha as caixas d’água sempre fechadas para evitar que elas se tornem criadouro do mosquito transmissor da dengue. A mesma orientação vale para as piscinas. O ambiente urbano, com concentração de pessoas, é o que facilita a transmissão. Evite acumular lixo e feche bem os sacos

Não deixe pneus em locais abertos. O pratinho embaixo dos vasos das plantas deve sempre ter areia para evitar acúmulo de água

Atenção redobrada com a espécie bromélia, um dos principais criadouros do mosquito



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