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Faltam carteiras e alunos fazem rodízio
Em Emef da zona sul estudantes estão indo à escola dia sim, dia não por períodos de 2h30
Fábio Mazzitelli, fabio.mazzitelli@grupoestado.com.br
Além dos atrasos que adiaram a volta às aulas em 18 unidades de ensino da Prefeitura, incluindo dois Centros Educacionais Unificados (CEUs), a Escola Municipal de Ensino Fundamental (Emef) Jardim Mitsutani I, na região do Campo Limpo, na zona sul de São Paulo, começou o ano letivo em esquema de rodízio de classes pela falta de carteiras e cadeiras nas salas de aula.
Como só 6 das 18 salas do colégio estão com os móveis, os alunos de 3ª a 8ª séries começaram o ano estudando dia sim, dia não, em períodos de duas horas e meia. O planejado são turnos de cinco horas diárias. A Prefeitura promete regularizar a situação até a próxima terça, dia 17, com a chegada de novo mobiliário. As aulas da rede municipal começaram na última quarta, dia 11.
Não é a primeira vez que uma escola municipal adota o sistema de rodízio para iniciar o ano letivo .
Segundo o diretor regional de educação do Campo Limpo, Marcelo Rinaldi, conjuntos de carteira e cadeira não foram entregues a tempo por responsabilidade da Funap (Fundação de Amparo ao Preso), do governo estadual.“Infelizmente, fizemos um contrato com a Funap em maio do ano passado e, nesse contrato, estavam incluídas as carteiras e as cadeiras dessa unidade. Eles descumpriram o prazo terrivelmente”, afirmou Marcelo Rinaldi à TV Globo, que revelou o caso ontem.
Procurada, a Funap não se manifestou até o fechamento desta edição. A Secretaria Municipal de Educação informa desconhecer mais casos de escolas em rodízio.
Na Emef Jardim Mitsutani I, aberta no ano passado, estudam cerca de 1.100 alunos, do 1º ao 8º anos. Para normalizar a situação, a Emef precisaria de 600 conjuntos de cadeira e carteira. Ontem, seriam entregues 104 e outros 128 estão previstos para chegar na segunda-feira, totalizando 232.
Como o déficit de móveis vai continuar, o diretor regional de educação faz a conta já prevendo a baixa frequência de estudantes até o recesso de carnaval.
Na semana passada, a Secretaria Municipal de Educação previu o atraso nas obras de 16 novas Emefs. Somaram-se a essas unidades os CEUs Formosa e Uirapuru, cujas obras também atrasaram, como revelou o JT anteontem.
No total, cerca de 20 mil crianças do ensino fundamental tiveram o início do ano letivo adiado para 17 de fevereiro ou 2 de março. Eles terão de repor os dias perdidos aos sábados. Nessa conta, não estão os estudantes prejudicados com o rodízio adotado na Emef Jardim Mitsutani I. Algumas escolas da rede municipal abriram ainda em obras, o que gerou reclamações das famílias dos estudantes. Foi o caso da Emef Batalha das Canoas, na zona leste.
OUTROS CASOS
Em fevereiro de 2007, a Emef Clemente Pastore, no Jardim Nakamura, zona sul, adotou o rodízio por causa da interdição de salas de aula pela subprefeitura
Em março de 2007, foi a Emef Professor Flávio Augusto Rosa, no Itaim Paulista, zona leste. Cinco das 21 classes foram fechadas devido a problemas estruturais
Em fevereiro de 2008, a Emef Euclides da Cunha, no Capão Redondo, zona sul, fechou sete salas de aula e 21 turmas estudaram em forma de rodízio
Em julho de 2008, alunos de Emefs de Guaianases, zona leste, foram transferidos para pré-escolas, que instalaram o rodízio
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