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Foi servente. Passou fome. E vai jogar hoje
Juliano Costa
Elierce Barbosa de Souza, 20 anos, diz que ficou em choque quando assinou contrato com o Verdão. “Eu não conseguia acreditar que tinha chegado aqui.”
Passou um filme na cabeça ruiva do volante, natural de Posse, interior de Goiás. “Quando eu estava com 18 anos, pensei em largar o futebol. Não achava time e, quando conseguia, não me pagavam. Minha família queria que eu largasse tudo e arranjasse um emprego. Fui servente e ajudei a carregar caminhão de madeira. Trabalho braçal, mesmo. Aí surgiu a chance e eu vim pra cá...”
Veio, viu e venceu. Passou no teste no time B e acabou promovido. Vanderlei Luxemburgo gostou e não cansa de elogiá-lo. Até o inscreveu na Libertadores.
Contra a Ponte Preta, como suplente, Souza já deixou boa impressão. Hoje, no Pacaembu, terá o primeiro jogo como titular.
“Estou muito ansioso. Já vinha esperando por essa oportunidade e agora ela apareceu.”
Souza é quase um E.T. na constelação alviverde por três motivos: o cabelo vermelho, a cara sardenta e o currículo bem mais modesto que o dos colegas.
Passou pelo Atlético Goianiense - “não me pagavam em dia e cheguei a passar fome” - e Dom Pedro, do Distrito Federal. “Fui destaque lá e ganhei a chance de fazer teste aqui no Palmeiras.”
Foram quatro meses treinando no time B. No fim do ano passado, Luxa comunicou à diretoria que, do grupo de quase 40 garotos, promoveria só dois. Subiram Souza e Daniel Santos, o ex-Lovinho. “Eu só via esses jogadores na TV e agora tenho a oportunidade de trabalhar com eles... É um sonho realizado”, diz Souza.
O contrato foi assinado no mês passado. Ele ganha o piso salarial (R$ 5 mil) e tem direito a reajuste caso atinja uma cota mensal de jogos disputados. “Mando a maior parte do dinheiro pra minha mãe. Já estamos reformando nossa casa em Posse, uma cidade de 30 mil habitantes.”
A próxima meta é buscar a namorada Raquel. “Noivamos no final do ano passado, mas estou morando sozinho aqui em São Paulo, num flat perto do Palestra. Já acertamos que ela vem pra cá no mês que vem”, diz Souza, chamado de “Sarará” por Luxemburgo pelo cabelo vermelho. “Sou o único ruivo da família. Meu pai é moreno e minha mãe é bem branquinha.”
Potência no chute
Souza se define como “um segundo volante, que pode jogar tanto mais preso na marcação como mais próximo do meia”.
Nos treinos, ele tem demonstrado força e pontaria nas cobranças de falta. “É uma característica que eu tenho. Se tiver chance, vou bater a gol.”
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