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Sábado, 14 fevereiro de 2009   edições anteriores
ECONOMIA
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  Indústria fecha 32.500 vagas em janeiro

Foi o quarto mês seguido em que ocorreram mais dispensas do que contratações no setor

Carolina Dall’olio, carolina.dallolio@grupoestado.com.br

Em janeiro, 32.500 postos de trabalho da indústria paulista foram extintos. Esse foi o quarto mês consecutivo em que o número de demissões do setor superou o de contratações, informou a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp). Trata-se do pior janeiro da série histórica, que começou em 2002.

Em relação a dezembro, quando houve redução de 128 mil postos de trabalho, a queda do nível de emprego foi de 1,34% (sem ajuste sazonal). “O número de demissões não foi tão alto quanto o de dezembro. Mas o que preocupa é o fato de, historicamente, janeiro ser um mês de contratações, e não de demissões”, declara Paulo Francini, diretor do Departamento de Pesquisas e Estudos Econômicos da Fiesp.

Sozinha, a indústria de veículos automotores respondeu pelo corte de 7.804 vagas. Somadas às demissões das empresas de produtos de borracha, plástico e metal - que também estão ligadas à cadeia automotiva, a mais prejudicada pela crise - lá se vão 14.454 postos de trabalho, ou 44,5% do total.

O número de demissões poderia ter sido ainda maior nesses setores. Porém, os acordos firmados entre sindicatos e empresas conseguiram preservar cerca de 18 mil empregos. Ao menos por enquanto. “Não podemos dizer que os acordos salvaram os empregos porque não sabemos o que vai acontecer quando a validade dos acordos acabar”, ressalta Carlos Alberto Grana, presidente da Confederação Nacional dos Metalúrgicos (CNM), filiada à Central Única dos Trabalhadores (CUT). Entretanto, Grana acredita que a tendência é a situação melhorar. “Já estamos observando forte retomada na produção.”

Além dos setores ligados à cadeia automotiva, o segmento de vestuário e calçados também apresentou forte redução de vagas. “Mas, nesse setor, janeiro é sempre um mês que concentra as demissões”, explica Francini.

Dos 22 setores avaliados pela Fiesp, só dois tiveram saldo positivo no emprego: o de produtos farmacêuticos e o de produtos diversos. “As empresas farmacêuticas não são atingidas pela crise porque ninguém deixa de tomar remédio por causa do mau momento da economia”, diz Nilson Mendes, diretor do Sindicato dos Trabalhadores da Indústria Química e Farmacêutica.

Apesar da crise, a confiança dos industriais paulistas já começa a melhorar. O índice Sensor, medido pela Fiesp, ficou em 41,4 pontos nos 15 primeiros dias de fevereiro, ante 38,7 pontos na segunda quinzena de janeiro. Embora resultados abaixo dos 50 pontos sejam considerados fracos, houve melhora considerável em dois dos itens do indicador: mercado e investimentos. Mas no emprego, o otimismo ainda não voltou. “Por enquanto, nada indica que vão parar de demitir”, diz Francini.



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