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Quinta-feira, 11 dezembro de 2008   edições anteriores
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  Sem ambulância, metrô usa táxi para atender passageiro

Companhia mantém convênio com taxistas que trabalham ao lado das estações para prestar socorro em casos considerados menos graves; número de passageiros que passam mal quase dobrou nos últimos 20 anos

Luísa Alcalde, luisa.alcalde@grupoestado.com.br

Há cinco anos sem ambulâncias próprias, o Metrô de São Paulo mantém uma espécie de convênio com taxistas para levar passageiros que passam mal nas estações a hospitais. A companhia afirma que usa os táxis só em casos “considerados menos graves”. Taxistas, no entanto, contestam essa versão. O JT flagrou na última sexta-feira, dia 5, uma passageira que passou mal na estação Sé, no centro, sendo colocada em um táxi por seguranças da empresa para ser levada à Santa Casa.

O Metrô usa táxis de pontos ao lado das estações. A companhia paga a corrida. São os empregados da empresa - com apenas curso de primeiros socorros - que decidem se vão encaminhar os passageiros para táxis. No caso flagrado no dia 5, um funcionário foi até a Santa Casa, mas isso é raro, segundo taxistas ouvidos pelo JT.

Nas estações não há enfermarias. “Temos uma sala para primeiros atendimentos com maca, cadeira e estojo de primeiros socorros. É onde oferecemos água a quem está mal”, afirma o gerente de operações do Metrô, Wilmar Fratini. Segundo ele, dependendo da gravidade do quadro, o usuário pode ser conduzido em uma das 14 viaturas da segurança (equipadas só com maca e kit de parto), em ambulâncias do Samu ou pelos bombeiros. “Os menos graves, como males súbitos, são levados pelos táxis em uma espécie de convênio que mantemos com os pontos mais próximos”, diz. Segundo o gerente, metade dos casos são pessoas que passam mal por causa do calor ou porque não teriam se alimentado bem. “Somos uma empresa de transporte e não um hospital. Se pensarmos que são 40 pessoas por dia que passam mal frente às 3,3 milhões que transportamos é um desperdício de recurso. Não dá para imaginar uma ambulância em cada uma das 55 estações. Foge da nossa atuação.”

Segundo o diretor do Centro de Treinamento e Pesquisa em Emergências Cardiovasculares do Instituto do Coração, Sérgio Timerman, males súbitos e desmaios podem ser sinais de doenças graves. “Não se deve pôr pessoas nessas condições em um táxi.” O Instituto do Coração é responsável pelo treinamento de primeiros socorros e uso do desfibrilador a funcionários do Metrô. “Eles são habilitados a prestar primeiros socorros, mas não são médicos para identificar se uma tontura é um caso grave ou não”, diz Timerman.

Em média, 1.200 pessoas passam mal dentro dos vagões ou nas 55 estações por mês. Os problemas vão de um mal súbito provocado pelo calor a enfartes. Em horários de pico, um metro quadrado é ocupado por até dez pessoas na Linha 3, a mais movimentada, segundo o Sindicato dos Metroviários. “Com esse aperto, sem ar condicionado no vagão, as pessoas passam mal mesmo”, diz Benê Barbosa, diretor do sindicato.

“Se a lotação traz malefício trata-se de uma má-prestação de serviço. A empresa pode ser responsabilizada”, afirma José Tavorelli de Oliveira, da Comissão de Defesa do Consumidor da Ordem dos Advogados do Brasil. Não há legislação, no entanto, que obrigue o Metrô a oferecer ambulâncias.

Dados obtidos pela reportagem mostram que, entre 1987 e 2007, o número de casos de mal súbito ou mal-estar mais que dobrou nas estações. Das 40 pessoas que passam mal no Metrô por dia, 20 se recusam a ser encaminhadas a hospitais, 5 são levadas a prontos-socorros pelas viaturas da segurança e 15 seguem nos táxis, segundo o Metrô.

A companhia está sem ambulâncias desde que o contrato com uma empresa que prestava esse serviço acabou, há cinco anos. Antes, cinco ambulâncias ficavam em pontos estratégicos. “Perdíamos tempo precioso nos deslocamentos entre as estações devido ao trânsito. Por isso optamos pelos táxis. A chegada aos hospitais é mais rápida e eficaz”, diz Fratini. Colaborou Vitor Sorano.



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