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Quinta-feira, 4 dezembro de 2008   edições anteriores
ECONOMIA
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  Muitos cartões de Natal. De crédito

Mesmo com a crise, brasileiro vai gastar mais nas compras de fim de ano com ‘dinheiro de plástico’

Fabrício de Castro, fabricio.castro@grupoestado.com.br

Crise? Que crise? Pelo menos para o setor de cartões de crédito, o Natal de 2008 promete ser ainda melhor que o do ano passado. Uma projeção da Itaucard mostra que, até o fim de dezembro, 295 milhões de transações devem ser registradas. Já o valor médio das compras com cartão deve ficar próximo de R$ 87,50, o que representa uma alta de 3,30% em relação a 2007.

Para o diretor de cartões do Itaú, Fernando Teles, a crise pode até mesmo contribuir para o mercado de cartões. “Atualmente, existe uma incerteza na economia”, explica Teles. “Por isso, as pessoas usam o cartão como meio de crédito e não apenas como meio de pagamento.”

Como o acesso a outras opções de crédito está mais restrito, o cartão surge como alternativa. Além disso, ele vem substituindo o cheque e o dinheiro vivo como meios de pagamento. “Nos últimos dez anos, o mercado vem crescendo cerca de 20% ao ano”, diz Teles. “Mesmo em períodos em que o PIB (Produto Interno Bruto) cresce menos, o cartão vem sendo mais utilizado”, afirma.

Para o consumidor, é aí que mora o perigo. O educador financeiro Mauro Calil, do Centro de Estudos do Patrimônio Calil & Calil, lembra que o cartão de crédito é uma ferramenta importante para o orçamento, “desde que bem utilizado”.

Quando deixa de quitar a fatura, por exemplo, o consumidor paga os juros mais altos do mercado. Dados da Associação Nacional dos Executivos de Finanças (Anefac) mostram que, em outubro, a taxa média de juros no cartão de crédito chegou a 229,96% ao ano. Em comparação, a porcentagem do Crédito Direto ao Consumidor (CDC), oferecido por bancos, foi de 46,78%.

Compras

No fim de ano, a tentação de utilizar o cartão nas compras é maior. Mas Calil aconselha o consumidor a utilizá-lo apenas em compras à vista ou em parcelamentos que não incluam juros. “Nunca é bom pagar juros. Só é bom receber”, diz.

As compras também precisam ficar dentro do orçamento. O consultor financeiro Reinaldo Domingos, autor do livro Terapia Financeira, afirma que o consumidor deve incluir as parcelas em seu orçamento mensal. “Se ele divide um produto em dez vezes no cartão, é fundamental que ele tenha renda para pagar as dez parcelas”, explica.

O descontrole é comum justamente no início de ano, quando o consumidor exagera nas compras de Natal e não reserva uma parte da renda para as despesas.

O limite do cartão de crédito é outro fator importante para o controle do orçamento. “Se você ganha R$ 5 mil, seu limite no cartão deve ser de, no máximo, R$ 5 mil”, exemplifica Calil. “Para quem possui dois cartões, o máximo deve ser de R$ 3 mil em cada um.”

Esse teto evita que o consumidor se endivide além de sua capacidade. A pior situação, segundo os consultores, ocorre quando a pessoa paga apenas o valor mínimo da fatura. Dessa forma, a dívida cresce rapidamente e foge do controle. “Se você ficar nessa situação, procure uma linha de crédito consignado ou de empréstimo pessoal, com juros menores. Com o dinheiro, você vai conseguir quitar a dívida do cartão”, ensina Domingos.


USE SEM ABUSAR

Parcele as compras de Natal apenas se for necessário. Mesmo assim, procure opções sem cobrança de juros

Lembre-se de que o cartão de crédito permite que você adie o pagamento de uma dívida apenas por um mês. Mas o valor será
cobrado. Se você não tem renda suficiente, desista da compra

Cuidado com as compras de Natal. Em janeiro, surgem novas contas, como a da escola dos filhos ou o IPVA. Isso precisa
estar previsto no orçamento



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