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Cassado, tucano apela ao Supremo
TSE condena Cunha Lima por dar 35 mil cheques, no total de R$ 3,5 milhões, a eleitores em 2006
Felipe Recondo
O uso da máquina pública nas eleições levou o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), pela terceira vez desde que foi criado, a cassar o mandato de um governador. Na quinta-feira, Cássio Cunha Lima (PSDB), governador reeleito da Paraíba, juntou-se a Flamarion Portela (Roraima) e Mão Santa (Piauí) no rol de governadores que perderam o mandato por abuso de poder político e econômico. O tucano disse que apelará ao Supremo Tribunal Federal, mas não poderá ficar no cargo à espera do julgamento do recurso.
Cunha Lima foi condenado por distribuir 35 mil cheques - no total de R$ 3,5 milhões - a eleitores em 2006, como parte de programa social nunca criado. Em alguns casos, os cheques eram elevados - acima de R$ 1 mil - e dados a colaboradores do governo, como o chefe da Casa Civil. Um cheque foi de R$ 56 mil.
Por unanimidade, os 7 ministros do TSE entenderam que a distribuição de cheques interferiu no resultado da eleição. A diferença de votos entre Cunha Lima e o 2º colocado, José Maranhão (PMDB), foi de apenas 17.650 votos, quase metade do número de eleitores que receberam cheques do governador.
Com a decisão do TSE, José Maranhão vai renunciar ao mandato de senador para assumir o governo da Paraíba. E aguarda a publicação do acórdão do julgamento, o que deve ser feito nas próximas semanas.
Ontem, Cunha Lima afirmou que foi vítima de “profundo equívoco de decisão judicial”, destacando ter sido condenado por crime que não cometeu. “Mas a história “vai reparar tudo isso. O ano de 2008 ficará na história como o que teve o maior equívoco judicial, porque fui condenado por aquilo que não fiz”, declarou o tucano.
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