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Cabeça servida na bandeja
Era pequena a chance de o Palmeiras bater o Fla em seu domínio por tudo o que aconteceu com o time na semana. Mas não se esperava a surra como foi. Bom para o São Paulo, que caminha livre
A derrota do Palmeiras para o Flamengo estava anunciada. A goleada, não. Perder no Rio, após a semana dura que culminou com as agressões ao técnico Vanderlei Luxemburgo, era até previsível. O Palmeiras perdeu o eixo quando parte da diretoria desistiu de Luxemburgo após a derrota (3 a 0) para o Fluminense. Bom para o São Paulo que tinha o Verdão nos seus calcanhares. Agora, o Tricolor só tem o Grêmio na concorrência e o Flamengo, ali pertinho, respirando ofegante.
Aliás, o São Paulo só cresceu quando percebeu que os adversários perdiam fôlego. Muricy arrumou a casa. Juvenal Juvêncio abafou todos os focos de descontentamento que havia contra Muricy e o Tricolor deslanchou. Tão natural como o dia e a noite.
Voltando ao Maracanã, o Flamengo construiu a goleada ao apostar em Kléberson. Desde o primeiro minuto do jogo, ele teve liberdade para jogar. Em nenhum momento sofreu marcação mais rígida. Saía do seu campo, passeava solto pelo território verde até chegar na zona de gol.
Kléberson provocou uma desordem na frágil marcação arquitetada por Luxemburgo. Quando disputou na corrida com Roque Júnior, deu dó. O zagueiro, se arrastando, via Kléberson passar como um foguete.
Braço na tipóia, conseqüência das agressões que havia sofrido na sexta-feira, Luxemburgo não conseguiu desmontar a estrutura do time carioca cujos alicerces eram as investidas de Kléberson e Ibson, leves, livres e soltos. Inevitável a goleada.
Massacrado no Rio, a cabeça de Luxemburgo está na bandeja. Influentes dirigentes do Palmeiras esfregam as mãos desde sexta-feira quando o técnico caiu na emboscada da torcida no Aeroporto de Congonhas. E hoje devem cobrar a saída do treinador.
Nada mais natural, como o sol e a lua. O futebol é assim mesmo. Dirigentes e chefões de facções organizadas e muita gente na mídia devem usar o discurso do tal “custo e benefício” para condenar Luxemburgo. Diz esse pessoal que não vale a pena pagar caro por um técnico. A cantilena de sempre.
Enquanto houver essa comunhão entre dirigentes, facções organizadas e boa parte da mídia, o futebol não sairá do lugar.
Alguns treinadores podem tudo, outros têm de pagar porque são mais vaidosos do que a maioria. Luxemburgo deve ouvir por aí que está “acabado”, que não é mais o mesmo. No tal “custo e benefício”, ele não tem o direito de perder campeonatos, pregam os incautos. É a sua sina.
Se ele entender que ainda pode reverter a situação como reverteu após as lambanças de 2000, o Palmeiras tem tudo para dominar o cenário em 2009. Se ele desistir, Muricy reinará sozinho por muitos e muitos anos.
Dança das cadeiras
Quando o Brasileirão acabar, no dia 7 de dezembro, muitos treinadores estarão desempregados. Anote a lista: Dorival Júnior (Coritiba), Adilson Batista (Cruzeiro), Celso Roth (Grêmio), Estevam Soares (Portuguesa), Mário Sérgio (Figueirense), Tite (Internacional), Ney Franco (Botafogo), Enderson Moreira (Ipatinga), Renato Gaúcho (Vasco), Márcio Fernandes (Santos) e Marcelo Oliveira (Atlético-MG).
Dúvidas importantes: Vanderlei Luxemburgo (Palmeiras) e Muricy Ramalho (São Paulo). Muricy pode trocar o São Paulo pela Seleção Brasileira. E Luxemburgo, também no páreo da Seleção, pode mudar do Palestra Itália para a Vila Belmiro ou até a Toca da Raposa. A conferir.
Brasileiro paulista
O futebol paulista poderá ter sete times na Série A do Campeonato Brasileiro de 2009, desde que Portuguesa e Santos não sejam rebaixados este ano. Aos quatro (Palmeiras, São Paulo, Santos e Portuguesa) se juntariam Corinthians, Santo André e Barueri, que depende apenas de uma vitória em casa contra o América-RN para subir. Confirmadas as três vagas, o futebol paulista voltaria ao campeonato de 2001, última edição do Brasileiro que contou com sete clubes de São Paulo. Naquele ano, o futebol paulista teve Corinthians, Palmeiras, São Paulo, Santos, São Caetano, Ponte Preta e Portuguesa. Em 2002, caíram Palmeiras e Portuguesa e foram minguando os clubes do Estado no Brasileiro.
Ronaldo no Verde?
Ronaldo Fenômeno, que muita gente dá como acabado para o futebol, decidirá seu futuro em janeiro. O atacante afirmou que se submeterá a um teste definitivo para avaliar se tem ou não condições de continuar jogando. Se o teste for positivo, Ronaldo dará preferência ao mercado europeu. Não está descartada também a possibilidade de ficar no Brasil. Neste caso, como ele mesmo já anunciou, o Flamengo seria o caminho natural, mas não o único. Em entrevista a O Globo, ontem, Vanderlei Luxemburgo disse que poderia trazer Ronaldo para o Palmeiras. Detalhe: embora a entrevista tenha sido publicada ontem, Luxemburgo conversou com o jornal carioca na sexta-feira antes de ser agredido pela Mancha Verde.
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