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'Me sinto o bobo da corte em uma CPI', desabafa relator
Encerrada em 3 de março deste ano, após 10 meses de investigação, a CPI dos Bingos, que apurou fraudes de casas de jogos que deram prejuízo de R$ 700 milhões aos cofres municipais, é tida por vereadores como exemplo da eficácia das Comissões Parlamentares de Inquérito. “Fechamos todos os bingos (187) da cidade”, orgulha-se o vereador e corregedor da Câmara Municipal, Wadih Mutran (PP), que presidiu a CPI. Mas bastaram poucos meses para que o ‘efeito CPI’ se mostrasse impotente, constata o próprio relator da comissão, Adilson Amadeu (PTB).
Nas 67 páginas do relatório final enviado ao Ministério Público, Amadeu - que é o 1º vice-presidente da Câmara - cobrou maior eficiência na fiscalização do MP e da Prefeitura. “Pouco adiantou. Fizemos várias blitze de madrugada, mas já têm uns 30 bingos abertos de novo. Não temos poder de polícia e quem deve fiscalizar não fiscaliza. Me sinto o bobo da corte quando participo de uma CPI”, desabafa o vereador.
Na atual legislatura, ele foi quem mais participou de CPIs: 4. Foram duas como relator (Bingos e Licenciamento), uma como presidente (Bancos) e uma como vice-presidente (Centros Esportivos).
“Em relação à CPI do Licenciamento - que apurou licenças para shows após morte de 3 pessoas em evento do grupo RBD no estacionamento de um supermercado -, os shows continuam acontecendo sem licença”, afirma. Segundo ele, até hoje não houve projeto de lei nem ninguém foi preso por conta de uma CPI na capital.
A maior frustração, contudo, é em relação à CPI dos Bancos, que pretendia fazer um pente-fino nas agências bancárias por conta de suspeitas de fraudes no pagamento de ISS (Imposto sobre serviços). Mas liminares concedida pela Justiça aos bancos já suspenderam a comissão duas vezes e ela está parada. “Os leões conseguem o que querem”, diz.
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