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  Clube das esquinas de São Paulo

Quatro músicos que estarão no projeto Música na Rua, dia 9, formam um curioso clube

Felipe Branco Cruz, felipe.cruz@grupoestado.com.br

Elio Camalle, Marcia Salomon, Daisy Cordeiro e Fernando Forni se conheceram há dez anos nos corredores da gravadora Dabliú Discos. Semanalmente se encontravam para discutir as melhores formas de divulgação e agendamento de shows para os seus trabalhos individuais. Nessas reuniões informais, Forni dedilhava algumas notas ao violão, enquanto Daisy e Marcia improvisavam canções sobre os versos de Camalle. O resultado agradou aos apurados ouvidos do grupo e o que era apenas uma brincadeira ganhou ares de projeto.

Surgia ali o Clic (Clube de Intérpretes e Compositores), nome que eles escolheram para batizar os inesquecíveis encontros de dez anos atrás. “Nunca abandonamos este projeto, mas sempre tivemos trabalhos individuais, por isso ainda não gravamos nenhum disco”, explica Daisy. “Temos filosofias de vida e trajetórias profissionais semelhantes, daí esta empatia entre nós”, completa o poeta Camalle.

O Clic será uma das atrações do projeto Música na Rua, que será realizado pelo Jornal da Tarde no dia 9 de novembro, domingo, na Avenida Paulista. Nesta data, a Paulista será tomada por músicos de diversos gêneros colocados em 27 pontos em um trecho que vai da Rua Augusta ao Masp, pelas calçadas dos dois lados da Avenida.

O Clic funciona como uma espécie de cooperativa entre amigos, cada um colabora com o trabalho do outro. Forni, por exemplo, arranjou três faixas de um álbum de Daisy. Ela, por sua vez, fez várias parcerias com Camalle e Marcia.

Os músicos brincam dizendo que os encontros entre eles acontecem apenas nas entressafras. “Como temos projetos solos, só nos encontramos quando estamos neste período pós-lançamento de discos”, diz Marcia.

Camalle fez uma ponta no filme Família Vende Tudo, de Alain Fresnot, com Caco Ciocler no elenco, previsto para estrear no ano que vem. O músico compôs ainda duas faixas da trilha sonora do longa.

Daisy está gravando seu novo disco chamado Absoluto, recheado de MPB e misturas com maracatu e bossa nova, previsto para ser lançado em março do ano que vem. Ainda na ala feminina, Marcia, está em turnê com seu novo álbum Geminiana, além de ter assumido a direção artística da Dabliú.

A cantora, mais dedicada à bossa nova, também faz turnê com Roberto Menescal em homenagem ao movimento. “Nunca deixei de homenagear a Bossa”, brinca Marcia. Por fim, trabalhando em cima de seu terceiro disco solo, está Fernando, que também é dono de uma agência de publicidade e produz jingles. Para as calçadas da Avenida Paulista, no dia 9, eles estarão em um formato enxuto, com vozes e violões.

O repertório vai privilegiar principalmente as músicas próprias do grupo, como a bela Amador, de autoria de Rafael Alterio e Elio Camalle. Na letra, versos como “Não existe cura pra dores de alma / remédio não há. / Nada que faça adormecer o tempo / Há nuvens escuras / que pairam acima do brilho do olhar/ Mágoas, não saem no removedor”, são intercalados por solos de cada músico. “Temos uma sintonia muito grande”, diz a cantora Marcia.

Com o repertório pronto, com mais de vinte canções já compostas pelo grupo, eles estão à procura de patrocínio para a gravação do primeiro disco. “Queremos comemorar os dez anos da nossa parceria em grande estilo”, diz Daisy.



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