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Segunda-feira, 22 setembro de 2008   edições anteriores
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  Centro deve ficar mais verde

Projeto a ser financiado pelo BID prevê plantio de árvores na região e está em fase de licitação

José Carlos Cafundó e Renato Machado

Uma boa notícia neste primeiro dia de primavera: a imagem dura do centro de São Paulo, com prédios, pontes e outra paisagens de concreto, pode ganhar um pouco de verde até o final do ano. Nos próximos meses, deve ser lançada a licitação para o Plano de Arborização do Centro, projeto para plantar árvores nos distritos da Sé e República. Este já foi aprovado pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), que irá financiar os R$ 836 mil previstos para sua execução. O banco analisa o edital de licitação que a Secretaria do Verde e Meio Ambiente quer concluir para iniciar o plantio.

A idéia do projeto é melhorar o índice de 3 metros quadrados de área verde por habitante na região do centro expandido, muito abaixo do recomendado pela Organização Mundial de Saúde (OMS) - 12 metros quadrados. As áreas mais críticas, segundo dados de 2005, são os distritos da Mooca, Brás, Pari e República.

A cidade de São Paulo tem 48 metros quadrados de área verde por habitante, número que não reflete a real situação, já que a cidade possui regiões de mata nativa, como a Serra da Cantareira, na zona norte.

“É uma imagem desequilibrada: de um lado temos Parelheiros e a Serra da Cantareira, com imensas áreas verdes, mas do outro está o centro, as áreas industriais antigas e os bairros mais pobres, com níveis quase zero de área verde por habitante”, diz o secretário municipal do Verde e Meio Ambiente, Eduardo Jorge.

O projeto de plantio de árvores faz parte do Programa de Reabilitação da Área Central de São Paulo (Procentro), que foi anunciado há quase 5 anos. Segundo a secretaria, a demora para a implantação foi causada por alguns entraves burocráticos. Como o Plano de Arborização do Centro será realizado por meio do empréstimo do BID, o projeto precisou ser bem detalhado para atender às especificações exigidas pelo banco.

Essa é uma das razões alegadas para que a licitação seja feita pela Empresa Municipal de Urbanização (Emurb), embora o projeto seja da Secretaria do Verde e Meio Ambiente.

Além disso, o plano é complexo, pois envolve a arborização de uma área amplamente dominada pelo concreto. Devolver uma paisagem verde a áreas como a República, por exemplo, gera muitas intervenções porque passam por ali cabos de fibra ótica, tubulações de gás e fiação elétrica e telefônica.

Num primeiro momento, uma das empresas vencedoras da licitação irá fazer uma análise da região para detectar as áreas em que é possível plantar e quais árvores podem ser instaladas.

“Nós temos de considerar diversos fatores, como a existências de fios e tubulações para que a árvore cresça após ser plantada e para que ela não cause estragos”, diz o diretor do Departamento de Parques e Áreas Verdes (Depave) da Prefeitura de São Paulo, Hélio Neves.

Somente após esse trabalho é que serão definidos a quantidade de árvores e quais espécies serão plantadas em determinados lugares. O Depave adianta que serão árvores grandes - sempre que possível -, resistentes e que haverá uma grande biodiversidade, já que as espécies serão distribuídas de acordo com as características de cada lugar. “Acredito que em dois anos teremos sombras de árvores no centro de São Paulo”, diz Neves.



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