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Garotos de Ipanema
Rodrigo Santoro, quem diria, virou ‘músico’ para atuar em filme sobre a Bossa Nova
Franthiesco Ballerini, franthiesco.ballerini@grupoestado.com.br
A cinqüentona mais falada do ano volta a brilhar nesta semana. Três anos após sua filmagem, estréia o filme Os Desafinados, em que Walter Lima Jr. presta homenagem à Bossa Nova, que completou cinco décadas no início de julho.
A demora para a exibição do longa teve seu preço. O ator Ângelo Paes Leme, por exemplo, viu seus filmes Muito Gelo e Dois Dedos D’Água e Meu Nome Não é Johnny, gravados depois de Os Desafinados, estrearem antes. “Quando terminamos de filmar, o país entrou na crise do mensalão. A pós-produção ficou congelada por falta de verbas. Demorou também para conseguirmos a liberação dos direitos de algumas músicas que eu fazia questão, como Take The A Train, de Billy Strayhorn”, explica o diretor, que nega o fato de ter esperado um pouquinho mais para pegar carona nos 50 anos da Bossa Nova.
O roteiro do filme é um mosaico de acontecimentos reais mergulhados em cenas fictícias. Conta a história de um quarteto de Bossa Nova, os Desafinados. Seus integrantes decidem fazer um documentário em memória da cantora Gloria Baker e sobre a experiência do grupo nos Estados Unidos. A banda é formada por Joaquim (Rodrigo Santoro), Davi (Ângelo Paes Leme), PC (André Moraes) e Geraldo (Jair de Oliveira). Retrocedendo ao ano de 1962, o filme mostra os quatro tentando se apresentar no Carnegie Hall, em Nova York, ao mesmo tempo em que experimentam sons, novos amores e a iminência de uma ditadura militar na volta ao Brasil.
Das cenas inspiradas em fatos reais, algumas são bem interessantes, como a que Joaquim diz “você precisa ver o lixo de lá (EUA). Tem lixo demais. Lá, até o lixo é rico.” A frase foi realmente dita pelo pianista Sérgio Mendes, quando voltou de uma estada em Nova York. Outra fala real é: “Não vai embora não, porque aqui tem cadeira elétrica.” Foi dita por Tom Jobim a Carlos Lyra, que ameaçava largar tudo e não fazer o famoso show da Bossa no Carnegie Hall.
Uma passagem que se dá com Joaquim, personagem de Rodrigo Santoro, aconteceu de fato com o pianista brasileiro Tenório Jr., em Buenos Aires. A cena em que os militares cancelam um show em uma universidade ocorreu na Faculdade de Arquitetura da Universidade do Brasil, no Rio de Janeiro, em 1968. Selton Mello vive o cineasta que registra tudo e Cláudia Abreu é a cantora Gloria Baker. No elenco, tem ainda Alessandra Negrini como a mulher grávida de Joaquim.
Uma banda de verdade?
Apenas Rodrigo Santoro não é músico profissional neste quarteto. Ainda assim, eles formaram uma banda que pode até virar real, já que se cogita a apresentação da trupe em alguns shows no Rio e São Paulo, mas sem a presença de Rodrigo. A idéia, no entanto, dependerá do sucesso do filme nas telas a partir de sexta. “Por enquanto, é só a vontade de tocar e cantar”, diz André Moraes, guitarrista que compõe trilhas para o cinema. “O Walter sabia que eu tocava violão, piano e sax, mas tive de voltar a fazer aulas, estava enferrujado”, completa Paes Leme.
Qual é a praia dos atores?
Rodrigo Santoro Estilo: rock Cantor/banda Legião Urbana Música Monte Castelo
Ângelo Paes Leme Estilo jazz Cantor/banda Dave Brubeck Quartet Música Take Five
Jair de Oliveira Estilo samba Cantor/banda Clara Nunes Música Águas de Março
André Moraes Estilo heavy metal Banda/cantor Rush Música Autumn Leaves
Walter Lima Junior (diretor) Estilo Bossa Nova Cantor/banda Bill Evans Música Insensatez
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