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Terça-feira, 26 agosto de 2008   edições anteriores
POLÍTICA
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  Kassab decide 'dar o troco' em Alckmin

No rádio, prefeito diz que tucano não ajudou a pôr fim a escolas de lata e não se entendia com Serra

O prefeito e candidato Gilberto Kassab (DEM) decidiu revidar ataques feitos à sua gestão pelo adversário Geraldo Alckmin (PSDB). O “troco” veio no horário eleitoral, mesmo veículo usado pelo tucano para mirar na saúde municipal na sexta-feira. A temperatura entre PSDB e DEM sobe no momento em que pesquisa Datafolha indicou queda de Alckmin e subida de Kassab, respectivamente, segundo e terceiro colocados na corrida eleitoral, atrás de Marta Suplicy (PT).

Kassab, que na semana passada já havia classificado de “incoerente” a atitude de Alckmin, usou seu programa no rádio para atacar. Sua propaganda informa que ele acabou com 54 escolas de lata “deixadas por Marta” e colocou em dúvida a sintonia entre Alckmin e o governador José Serra. “O Geraldo também não ajudou a acabar com escolas de lata. Mas o prefeito e o governador hoje se entendem, antes não se entendiam”, disse o locutor. O “antes” se refere ao período em que Serra era prefeito e Alckmin governador (2005-2006).

Na TV, o programa comemorou a queda do tucano no Datafolha: “Kassab sobe três (pontos), Geraldo desce oito. E a diferença entre os dois cai pela metade”. No último Datafolha, Marta ficou com 41%, Alckmin com 24% e Kassab com 14%.

No front tucano, ataques começaram semana passada. Primeiro, de forma indireta, com inserções televisivas: “São Paulo é a cidade mais rica do Brasil, mas faltam mais de 100 mil vagas em creches. São Paulo possui Orçamento de R$ 25 bilhões por ano, mas faltam mais de 47 mil vagas nas escolas municipais. O problema não é dinheiro, e sim o que você faz com ele.” Depois, no próprio horário eleitoral, contando histórias de mulheres sem atendimento na rede de saúde.

Ontem, Alckmin repetiu o trecho das mulheres, mas reduziu o tom dos ataques. À noite, porém, falou sobre moradores da Capital em situação de miséria. “O que está acontecendo é exatamente o que a gente imaginava. O conflito não seria diretamente entre os dois e a Marta, mas muito entre os dois. O Geraldo, para crescer, tem de bater na atual gestão”, disse o secretário de Esportes, Walter Feldman (PSDB).

DEM ‘cutuca’ Alckmin

Para a cúpula do DEM, as críticas de Alckmin refletem “decadência” da candidatura. Mas democratas não querem briga por apostar em acordo no 2º turno e em aliança na eleição presidencial de 2010. “Alckmin é menor que o PSDB”, diz o presidente nacional do DEM, Rodrigo Maia.

O presidente do PSDB, Sérgio Guerra, disse que a aliança com o DEM não está em questão e que críticas do candidato tucano ao prefeito se limitam ao campo administrativo. Alertou, porém, que “o confronto entre candidatos do mesmo campo é desperdício de energia e acumula pontos ao adversário”.

Na mesma linha, o vice-presidente do DEM Paulo Bornhausen (SC) lembra que o PSDB integra a gestão que o tucano critica. “Esse problema é fruto da sina autofágica do PSDB que, desde que saiu do poder com Fernando Henrique, vem perdendo eleições na autofagia”

Os aliados de Alckmin se reúnem hoje para avaliar a queda nas pesquisas. Duarte Nogueira (PSDB), um dos coordenadores da campanha, disse que os ataques feitos a Alckmin nos programas de Kassab “não são uma estratégia boa para ninguém”. E criticou: “A não ser que queiram perder a eleição, é melhor deixar as picuinhas de lado.” Apesar das “bicadas” em Kassab, Alckmin disse que seu foco tem de ser a candidata petista. “Não vou responder nunca a nenhum tipo de provocação (de Kassab)”.



TIROTEIO


“O Geraldo também não ajudou a acabar com escolas de lata. Mas o prefeito e o governador hoje se entendem, antes não se entendiam.”

HORÁRIO ELEITORAL DE KASSAB NO RÁDIO, VEICULADO ONTEM. O ‘ANTES’ REFERE-SE AO PERÍODO EM QUE ALCKMIN ERA GOVERNADOR E JOSÉ SERRA, PREFEITO

“São Paulo tem Orçamento de R$ 25 bilhões por ano, mas faltam mais de 47 mil vagas nas escolas. O problema não é dinheiro, e sim o que você faz com ele.”
SPOT TELEVISIVO DE ALCKMIN, NA SEMANA PASSADA, CRITICANDO
INDIRETAMENTE A GESTÃO DE KASSAB

“Estou vendo a candidatura dele perder voto nas pesquisas, porque eu acho a candidatura dele incoerente. É candidatura de alguém que está no nosso governo, seu partido é do nosso governo.”
KASSAB, SOBRE PROGRAMAS DE ALCKMIN



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