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Terça-feira, 26 agosto de 2008   edições anteriores
OPINIÃO
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  Brasil sede dos Jogos Olímpicos? Um delírio!

Entre a Olimpíada de Atenas, onde o Brasil conquistou cinco medalhas de ouro e o maior sucesso de participação em todos os tempos, e a de Pequim, onde este total caiu para quase a metade, três, o Comitê Olímpico Brasileiro (COB) e as confederações desportivas receberam R$ 692,58 milhões de patrocínios estatais e de empresas privadas. Ou seja: mais que o dobro dos gastos com a delegação que foi à Grécia em 2004.

Talvez não seja muito adequado o cálculo, que tem sido fartamente divulgado nos meios de comunicação, de que cada medalha conquistada nas competições olímpicas custou a este pobre país a quantia nada módica de R$ 53 milhões - não consideradas as medalhas do futebol, pois a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) não lida com recursos públicos. Afinal, cada medalha tem seu peso e seu valor. E esta conta talvez não possa servir de base à crítica razoável que deve de fato ser feita aos responsáveis pela gestão das modalidades esportivas no País e pela organização da representação brasileira que viajou à China. Mas nem o mais ingênuo dos otimistas deixará de observar que, na balança entre os gastos e o desempenho nas competições, o custo desta vez superou o benefício mais que nunca antes. O COB e a CBF têm muitas explicações a dar sobre o destino que foi dado a essa dinheirama com resultados que ficaram abaixo do ridículo.

É notório o desamparo em que vive o futebol feminino, apesar da reconhecida capacidade de nossas jogadoras, que perderam a partida final por evidente falta de preparo físico. O nadador César Cielo chegou a sua inédita medalha de ouro preparado por um técnico australiano pago pela universidade americana pela qual compete. O COB recebe os recursos da Lei Piva, que transfere 2% da arrecadação das loterias para os esportes olímpicos e repassa a metade às confederações. Mas o judoca Eduardo Santos não tinha R$ 1,5 mil para trocar de faixa, mesmo tendo a Confederação de Judô recebido R$ 10,86 milhões.

Enxugadas as lágrimas dos atletas brasileiros que, contrariando as expectativas da torcida, não subiram ao pódio, chegou realmente a hora de se fazer uma auditoria rigorosa e detalhada nas contas do COB e das confederações, como propôs o deputado federal Miro Teixeira (PDT-RJ). Enquanto não for dada transparência a essa contabilidade, é insano imaginar que de malogro em malogro o Brasil poderá transformar em realidade o sonho de vir num prazo razoável a sediar uma Olimpíada no Rio de Janeiro ou em qualquer outra de nossas cidades. Não dá para comparar a Copa do Mundo, competição que já sediamos e na qual tantas vezes brilhamos, com os Jogos Olímpicos, nos quais a posição nacional no ranking está sempre abaixo de competidores do porte de Ucrânia, Jamaica, Quênia, Etiópia e Hungria.

Nosso 23º lugar deve servir de ponto de partida para uma política decente de apoio ao esporte na base, e não de incentivo para o delírio de organizar uma disputa em que sempre fomos medíocres.



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