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Terça-feira, 26 agosto de 2008   edições anteriores
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  Profissionais aumentam o risco de infecção hospitalar

Falta de higienização das mãos e pouco cuidado com instrumentos agravam problema

Alexandre Gonçalves, alexandre.gonçalves@grupoestado.com.br

Em meio à epidemia de infecções por micobactérias nos hospitais, especialistas apontam comportamentos dos profissionais de saúde que aumentam os riscos de infecções hospitalares. A higiene das mãos, por exemplo, cuidado mais básico e eficaz para diminuir a incidência do problema, é freqüentemente esquecida no corre-corre das enfermarias.

Falhas na esterilização dos equipamentos e ausência de comissões para controle de infecções nos hospitais - uma exigência da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) - também contribuem para agravar o problema.

Thaís Guimarães, presidente da Comissão de Controle de Infecção Hospitalar do Instituto Central do Hospital das Clínicas, em São Paulo, explica que não basta lavar as mãos: é necessário higienizá-las com algum produto à base de álcool. “Infelizmente, os médicos são os profissionais de saúde que mais esquecem esse procedimento”, afirma Thaís.

O excesso de trabalho e a ausência de infra-estrutura adequada, como pias próximas aos locais de atendimento, são apontados como os principais responsáveis pelo problema. Antes e depois de atender um paciente, o médico deveria higienizar as mãos para não se tornar um vetor de infecções.

“Quando há falta de pessoal, é difícil exigir isso dos profissionais”, afirma Renato Grinbaum, da Associação Paulista de Estudos e Controle de Infecções Hospitalares.

Instrumentos

Muitas vezes, os médicos possuem seus próprios instrumentos cirúrgicos, que levam de um hospital para outro. O cirurgião plástico Antônio Gonçalves Pinheiro, do Conselho Federal de Medicina (CFM), afirma que os serviços de saúde também deveriam garantir a esterilização desses equipamentos.

“Quando o profissional chega atrasado para a cirurgia, pode ignorar os procedimentos necessários”, afirma Pinheiro.

No Fleury Hospital-Dia, por exemplo, os médicos são obrigados a entregar o instrumento que será utilizado na cirurgia com 24 horas de antecedência, para esterilização. A taxa de infecção do local é de apenas 1%.

No Brasil, as normas oficiais de combate ao problema surgiram a partir de 1983. Hoje, a Anvisa estima uma taxa de infecção hospitalar de 15,5%, com cerca de 50 mil óbitos anuais.

No entanto, 24% dos hospitais não têm comissões de controle das infecções, um grupo multiprofissional especializado no combate desse problema dentro das unidades.

Segundo o diretor-presidente da agência, Dirceu Raposo de Mello, as ações para combater a propagação das infecções “não têm nada de revolucionárias”.

“Os protocolos de esterilização estão todos no nosso site. E o que o protocolo diz? Água e sabão, secar os equipamentos e então fazer a desinfecção ou esterilização”, receita Mello.

Colaborou Fabiane Leite



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