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Amazônia para o English Team
JT revela a incrível história dos jogadores presenteados com terras na floresta
Alex Sabino, alex.sabino@grupoestado.com.br
Uma das maiores polêmicas no Brasil da atualidade é a posse de terras na Amazônia por parte de estrangeiros. O que quase ninguém sabe é que isso começou há 49 anos, com um grupo de 13 ingleses e por causa do futebol. Após amistoso entre Brasil e Inglaterra, no Maracanã, em 13 de maio de 1959, a Confederação Brasileira de Desportos (atual CBF) resolveu dar um presente inusitado aos jogadores britânicos: um acre de terra na floresta amazônica para cada atleta.
“Pode parecer incrível, mas é a pura verdade. Cada um de nós recebeu certificado dizendo que, a partir daquele momento , éramos donos de um pedaço de terra. Nós ficamos totalmente atônitos com aquilo”, revela Jimmy Armfield, lateral-esquerdo do English Team, em entrevista ao JT.
A delegação que veio ao País tinha 13 integrantes. Treze acres representam 5,2 hectares ou quase cinco campos de futebol. Território suficiente para enfurecer os defensores da Amazônia para os brasileiros.
Mas eles podem ficar calmos. Os jogadores ingleses jamais pensaram em tomar posse do território oferecido pela CBD.
“Estão debatendo sobre estrangeiros com terras na Amazônia aí no Brasil? Pois fiquem sabendo, então, que 13 de nós temos. Só não sabemos onde é”, afirmou, se divertindo, Armfield.
O inusitado presente foi dado oficialmente pelo presidente da Comissão de Assuntos Internacionais da Confederação à época, Luiz Mergel, em banquete em homenagem aos ingleses no Iate Clube do Rio de Janeiro.
“Confesso que não me lembro disso. Mas poderiam dar para nós, brasileiros, também”, disse Chico Formiga, ex-zagueiro da seleção canarinho e que entrou durante o amistoso no Maracanã, no lugar de Orlando Peçanha.
A história dos acres na Amazônia estaria perdida não fosse o próprio Armfield tê-la citado, mesmo que sem entrar em detalhes, na edição de setembro da revista britânica FourFourTwo.
O certificado com o pedaço de chão na floresta não foi o único presente recebido pelos europeus que excursionavam pela América do Sul.
“Teve mais. Ganhamos belas pedras de água marinha. Mandei fazer um anel para a minha mulher. Depois foi roubado”, explicou Armfield, ex-técnico que levou o Leeds United à final da Copa da Europa em 1975 e hoje é comentarista da Rádio Five Live, da BBC.
A edição de O Estado de S.Paulo de 14 de maio daquele ano não fala sobre o acre na Amazônia. Diz que os jogadores ingleses receberam “presentes” das autoridades brasileiras. Entre eles, a água marinha e pratos de estilo marajoara.
Dos que estiveram em campo no Maracanã lotado pelo English Team, apenas Armfield, Flowers e Sir Bobby Charlton estão vivos. O JT tentou entrar em contato com este último por meio da assessoria de imprensa do Manchester United, mas o ex-atacante e atual embaixador do clube estava viajando.
Se tivessem resolvido reivindicar o território amazônico, Jimmy Armfield e colegas seriam precursores de Johan Eliasch, responsável pela ONG Cool Earth, que oferece dois mil metros quadrados na região por 45 libras (R$ 135).
“Nem sei onde é meu pedaço da Amazônia. Mas se você achar, por favor, me avise. Quem sabe eu não apareço para tomar posse”, brincou o ex-lateral.
'Não temos nada a reclamar. Foi uma vitória merecida do Brasil.' Billy Wright Zagueiro da Inglaterra
160 mil pessoas foi o público no Maracanã para o jogo entre Brasil e Inglaterra, em 1959
13 acres foram “presenteados” aos ingleses. Quase o bastante para fazer 5 campos de futebol
1ª vitória da Seleção Brasileira sobre o English Team foi no Maracanã, em maio de 59
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