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Terça-feira, 26 agosto de 2008   edições anteriores
ECONOMIA
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  Juros do cheque especial têm taxa mais alta em cinco anos

Em agosto, índice anual atingiu o patamar de 165,4% apenas nos nove primeiros dias do mês, o mais alto desde agosto de 2003. Em julho, os juros dessa modalidade de crédito estavam em 162,7%. Crédito pessoal também ficou mais caro

Rodrigo Gallo, rodrigo.gallo@grupoestado.com.br

Os juros do cheque especial fecharam os nove primeiros dias úteis de agosto com uma taxa anual de 165,4%, ante 145,5% registrados em janeiro, ou seja, houve uma alta de 13,6% em pouco mais de sete meses. Segundo informações divulgadas ontem pelo Banco Central, o índice atual cobrado para esse tipo de operação atingiu o patamar mais elevado desde agosto de 2003. O mercado estima que os aumentos podem continuar.

De acordo com o levantamento do Banco Central, o cheque especial continua sendo a modalidade de crédito mais cara praticada pelas instituições financeiras. Segundo relatório do BC, as taxas desse tipo de operação apresentam altas consecutivas desde dezembro do ano passado.

O índice referente a agosto, de 165,4% ao ano, é apenas preliminar e pode variar muito no decorrer do mês. No entanto, o Banco Central admite que o porcentual pode fechar o período acima dos 162,7% anuais registrados em julho.

Os juros de outras modalidades de empréstimo também cresceram em 2008. Entre janeiro e julho, os porcentuais praticados nas operações de financiamento de veículos subiram de 31,2% para 33,5% ao ano. No mesmo período, as taxas do crédito pessoal sofreram aumentos de 53,1% para 53,6%.

Uma das razões para a elevação dos juros para pessoa física, segundo o Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi), é a alta do chamado spread bancário, ou seja, a diferença entre o quanto os bancos gastam e o quanto lucram com os empréstimos.

Embora a elevação dos juros do financiamento de veículos não tenha sido tão acentuada neste ano, os consumidores já sentiram a diferença no bolso. O publicitário Daniel Fernando Marques, 24 anos, gastou cerca de um mês e meio pesquisando preços de carros zero no mercado, e não conseguia encontrar condições favoráveis. “Rodei bastante em várias concessionárias e, no fim, consegui que uma vendedora me fizesse um financiamento com parcelas de R$ 600”, contou. “Era justamente esse valor que eu estava disposto a pagar sem me apertar muito.”

Como Marques não deu nenhuma entrada pelo Renault Clio zero,decidiu pagar o financiamento em 72 prestações. “O valor de mercado do carro é R$ 26,5 mil, mas sei que vou pagar praticamente o dobro até o fim do financiamento.”

Quem precisa de crediário para comprar outros bens, como eletroeletrônicos, também está pagando mais caro. A nota técnica do BC mostra que os juros para este tipo de crédito subiu de 56,3%, em janeiro, para 57,9%, no último mês, somando uma elevação de 2,81% no período.

O economista José William Cruz, especialista em conjuntura macroeconômica, acredita que existe mesmo uma tendência das taxas continuarem a ‘assombrar’ os consumidores nos próximos meses. “A economia brasileira está estável há bastante tempo, mas como o governo decidiu aumentar a Selic (taxa básica da economia) nas últimas reuniões, teremos alta de juros.”



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