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Pequena empresa: proibido crescer
Paulo Lofreta
Assim como os seres humanos, as empresas obedecem a um ciclo de vida: nascem de um sonho, superam dificuldades, crescem, se fortalecem, estabelecem novos paradigmas. Depois de um tempo, fenecem, deixando exemplos a serem seguidos – ou não – por outras organizações. Em seus primeiros dias de vida, as pequenas empresas enfrentam uma montanha de exigências que, muitas vezes, comprometem seu desenvolvimento.
É bem verdade que o porcentual de empresas de pequeno porte que permanece de portas abertas nos dois primeiros anos de vida cresceu, passando de 50,6% (2002) para 78% (2005). Para tanto, contribuíram um ambiente econômico favorável e o fato de o empreendedor brasileiro estar mais capacitado para identificar melhor as oportunidades.
Mesmo assim, poucas empresas conseguem chegar no nível de médias. As que ultrapassam as dificuldades da infância e atingem a adolescência vêem-se, freqüentemente, às voltas com um contencioso, caracterizado pela insolvência e conseqüente fechamento de portas. Falta-lhes apoio técnico, linhas de crédito diferenciadas, estímulo à inovação e uma política que incentive o pequeno empreendedor que ousa crescer.
No caso das empresas de prestação de serviços, a situação é ainda mais grave: o que mais se vê são medidas de desestímulo. Exemplo disso é sua relação com o sistema financeiro. A visão míope dos analistas de crédito apena de forma discriminatória o setor porque não leva em conta seu maior patrimônio – funcionários e clientes. Mesmo assim, o volume de empréstimos realizados pelos maiores bancos do País às micro e pequenas empresas cresceu mais no primeiro trimestre deste ano, do que às grandes empresas.
Só o Banco do Brasil realizou operações na ordem de R$ 25,6 bilhões – 32% a mais que no mesmo período do ano passado. Entre os bancos privados, os empréstimos feitos aos pequenos empreendedores foram 40% maiores. O que pouca gente percebeu é que esses números aparentemente animadores escondem um lado perverso.
Empréstimos para microempresas, com valores até R$ 100 mil, ou superiores a R$ 10 milhões, para grandes empresas, são aprovados diretamente pelo BNDES. Quem se encontra entre as duas faixas, como é o caso das pequenas e médias empresas, depende de intermediários, que acrescem um spread sobre os juros já cobrados pelo banco oficial e impõem um volume desproposital de restrições para a realização desse tipo de operação.
O que pretende o governo negando apoio ao segmento da economia que mais gera empregos no País? Forjar uma geração de empresários com medo de crescer? Condenar o País ao atraso e frustrar o sonho de milhares de pequenos empreendedores que ainda acreditam na força do trabalho? Como no ciclo natural da vida humana, as empresas e o Brasil precisam crescer. Parece que só o governo não consegue entender.
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