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O verdureiro virou o jogo
Alexandre Nero cai nas graças do público de ‘A Favorita’ como o simplório Vanderlei
ANDREZZA CAPANEMA, andrezza.capanema@grupoestado.com.br
A novela é um universo em que tudo pode acontecer, defendem os especialistas. Classificada como ‘obra aberta’ por quem entende do assunto. O ator e músico Alexandre Nero, 38 anos, foi ‘vítima’ da tal tese logo na estréia na teledramaturgia. Vanderlei, seu personagem na novela A Favorita, da Globo, entrou na história tímido, mas foi ganhando cores diferentes das previstas.
“A Lilia (Cabral, que faz a Catarina na trama) me falou que tudo poderia acontecer. Ela me disse para fazer o personagem da forma mais natural possível, sem apelar para a caricatura. E, de uma hora para a outra, o Vanderlei virou um analfabeto”, lembra o curitibano. “Se soubesse que ele não sabia ler e escrever, talvez teria feito diferente. Mas ainda bem que não fiz, o autor (João Emanuel Carneiro) quis mostrar que um analfabeto pode ser alguém bem-sucedido e simpático no mundo dele.”
O verdureiro das nove chegou como um rapaz sem charme, que curtia uma paixão platônica por Catarina. Quando tomou coragem para se declarar, no entanto, comprou briga com o vilão Leonardo (Jackson Antunes), o marido da personagem. A partir daí, conquistou a torcida do telespectador. Ele ainda despertou o interesse da caminhoneira Cida (Claudia Ohana) graças ao jeitinho. “As pessoas (que encontram o ator nas ruas) acham que ele é um príncipe encantado, isso me surpreendeu. Sempre achei que gostam mesmo é do vilão.”
A possibilidade de mudar a cada capítulo é bem vista por ele. “O bom ator é aquele que está no personagem. O Vanderlei existe dentro de mim de alguma maneira, mas tenho um pouco do Leonardo também. Todos têm, até o Vanderlei, só que a gente reprime para não virar um monstro. É bom, não quero fazer um papel 100% bonzinho.”
Rosto pouco conhecido na TV, Nero é figura fácil na vida cultural de Curitiba. Na terra natal, divide a agenda entre os espetáculos teatrais e a música. “Sou músico, tenho oito discos gravados. Fui procurar o teatro porque queria me posicionar melhor no palco e acabei ficando. Fiz muitos musicais, me chamavam para trabalhar porque os outros atores sabiam atuar, mas não cantavam tão bem.”
A performance na peça Os Leões, de 2007, despertou o interesse de um produtor de elenco da Globo. Ele fez então o episódio piloto do semanal Casos e Acasos e depois veio o convite para dar vida a Vanderlei. Antes, acreditava que a TV era um sonho distante.
“Não sabia o caminho das pedras, como chegar à Globo. Nunca me achei galã, nunca pensei que poderia acontecer”, lembra. “E estou com quase 40 anos, tenho uma carreira consolidada em Curitiba, mas no Rio ninguém sabe quem sou eu. Pensava ‘me apresentar, começar tudo de novo, é complicado’.”
Comédia
Enquanto faz drama no vídeo, o ator se dedica à comédia na rede mundial de computadores. Ele integra o elenco da minissérie para a internet O Que Que É Isso?, que tem texto de Adriana Falcão, uma das roteiristas do humorístico A Grande Família, da Globo, e produção da O2, do diretor Fernando Meirelles.
O programa mostra a rotina de uma empresa de produtos de emagrecimento. Na história, Nero é Otávio, dono da tal firma que vira novo rico e passa a carregar todos os estereótipos do tipo que ganha dinheiro do dia para a noite sem estar preparado para a novidade. “O personagem se acha um administrador genial, mas é um boçal”, diverte-se. “A internet é mais próxima do cinema. Essa minissérie tem uma pré-produção maior, não tem data (para ir ao ar) a ser cumprida. A Globo me assustou pela velocidade, é tudo muito rápido.”
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