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Madonna sem segredos
FELIPE BRANCO CRUZ, felipe.cruz@grupoestado.com.br
Madonna foi violentada e obrigada a fazer sexo oral em um homem sob a ameaça de ser esfaqueada. Por conta disso sua auto-estima desmoronou e ela abandonou a dança contemporânea. Anos depois, em 1990, durante a turnê Blond Ambition, a agora já famosa estrela imprime uma rotina de exercícios a si mesma que se torna insana. Ela faz cinco horas de treinamentos físicos por dia e seu nível de gordura cai muito abaixo do saudável.
Às vésperas de vir ao Brasil em shows já confirmados para os dias 14 de dezembro, no Maracanã, Rio de Janeiro, e 18, 20 e 21 de dezembro, no Morumbi, em São Paulo (leia mais abaixo), Madonna tem a vida vasculhada na biografia Madonna 50 anos - a Biografia do Maior Ídolo da Música Pop, escrita pela jornalista inglesa Lucy O’Brien, que a considera “a mulher viva mais famosa e influente do mundo.” A editora Nova Fronteira lança o livro no Brasil durante a 20ª Bienal Internacional do Livro, que começa dia 14. O lançamento coincidirá com a semana do 50º aniversário da cantora, em 16 de agosto. A biografia foi publicada nos Estados Unidos e na Inglaterra em setembro do ano passado.
No exterior, outra obra também causa frisson entre os amantes da diva. Life With My Sister Madonna (342 páginas), escrita por seu irmão Christopher Ciccone, foi lançada no mês passado com tiragem inicial de 350 mil cópias. Ciccone revela que, de fato e ao contrário de boatos, Madonna ama seu marido Guy Ritchie, mas não tanto quanto ama sua carreira. Ele diz ainda que Ritchie, por ser homofóbico, foi o responsável pelo seu distanciamento da irmã - Christipher é gay. O livro também alimenta as suspeitas de que a popstar estaria tendo um caso amoroso com o jogador de beisebol Alex Rodriguez.
A autora de Madonna 50 anos, que já trabalhou para os periódicos ingleses The Guardian, The Independent e Mojo, peregrinou por vários locais de Londres, Los Angeles e Detroit, cidade da cantora, e entrevistou mais de 100 pessoas próximas a ela. Madonna não interferiu e deu o aval, apesar de a biografia não ser oficialmente autorizada.
Nos 25 anos de carreira da cantora, já foram publicadas mais de 20 biografias, sendo que no Brasil a última foi lançada em 2001. Lucy também é autora de biografias de Dusty Springfield e Annie Lennox e da enciclopédia She Bop: The Definitive Encyclopedia Of Women In Rock, Pop & Soul, não lançada por aqui, que investiga o papel das mulheres na formação da indústria musical.
Sem entrevistar a artista, Lucy falou com seus ex-casos amorosos (e polêmicos), como Waren Beatty e Sean Penn, além de amigos de infância e sua primeira empresária, Camille Barbone. Da morte prematura da mãe de Madonna, quando ela tinha apenas cinco anos, até o sucesso do filme Evita, de 1996, as fases da artista são esmiuçadas. Críticos chegaram a dizer que a autora pega leve com Madonna rasgando elogios a sua “genialidade” e avaliando as músicas como “espetaculares”. Em todo caso, Lucy não deixa de abordar também o polêmico caso de abuso sexual de Madonna e a adoção do bebê sul-africano David Banda, em 2007.
As obras ajudam a explicar o mito por trás da mulher que, em 11 de março deste ano, foi incluída no Hall da Fama do Rock And Roll, título cedido aos artistas que fazem história na música por, no mínimo, 25 anos. Desde o lançamento de seu primeiro álbum, a cantora já vendeu mais de 275 milhões de cópias.
PARTES DO LIVRO
“A vida de Madonna foi sendo construída em oposição à de sua mãe. Se o silêncio da mãe significava a morte, então ela iria falar. Se a doença da mãe indicava que dormir era perigoso, pois uma pessoa pode morrer enquanto dorme, bem, então ela ficaria bem acordada. Se o corpo da mãe a decepcionou, Madonna se certificaria de estar sempre em excelentes condições físicas.”
“Um dia, segundo uma amiga, não muito depois de entrar para a companhia de (Pearl) Lang, quando ela estava em uma parte mais marginalizada da cidade, foi agarrada na rua por um negro forte e grande que, com uma faca, a fez subir as escadas de um prédio até o telhado. Lá ele a forçou a fazer sexo oral. Quando ele terminou, deixou-a lá em cima chorando e tremendo. Ela ficou lá por um longo tempo, com muito medo de sair e encontrá-lo nas escadas.”
“Madonna parece ter internalizado o ocorrido, enterrando fundo a sensação de vergonha e solidão. Anos depois, ela conversou sobre isso com um terapeuta, e relatou em uma entrevista: - Eu fui violentada, e esta é uma experiência que eu jamais trataria com glamour.”
“O visual da turnê ‘Blond Ambition’ não dava descanso a Madonna. Segundo seu treinador físico inglês Jamie Addicoat, para se atingir uma estrutura física improvável como aquela, a rotina de exercícios tivera que se tornar insana.”
“Para Madonna, esse era um preço pequeno a pagar por um espetáculo que ela controlava do início ao fim. A concepção de Blond Ambition era inteiramente sua.”
“As cenas de sexo e religião eram tão fortes que, quando a turnê chegou a Toronto, a polícia local ameaçou prender Madonna por obscenidade se ela mantivesse aquelas cenas no show. Em resposta, ela apimentou ainda mais a seqüência da masturbação.”
LANÇAMENTO
Madonna 50 anos... Nova Fronteira R$59,90
A biografia, escrita pela jornalista Lucy O’Brien, fã da cantora desde 1985, explora a personalidade e a carreira da mais famosa artista pop.
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