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Dantas vai ao banco. Dos réus
Fausto Macedo e Marcelo Godoy
Em um único dia, o banqueiro Daniel Dantas, do Opportunity, foi denunciado pelo Ministério Público e virou réu em processo criminal em que é acusado de oferecer suborno de R$ 1 milhão para corromper o delegado federal Vitor Hugo Rodrigues Alves, da Operação Satiagraha. Além do banqueiro, o executivo do Opportunity Humberto Braz e o professor Hugo Chicaroni também vão responder ao processo por corrupção ativa. A decisão é do juiz federal Fausto Martin De Sanctis, da 6ª Vara Criminal Federal de São Paulo, que acolheu a denúncia do procurador da República Rodrigo de Grandis.
A propina ao delegado serviria para livrar Dantas, seu filho e sua irmã Verônica do inquérito que apurava as atividades do grupo Opportunity, controlado pelo banqueiro.
Foi esse inquérito que serviu de base à Operação Satiagraha, que provocou a decretação da prisão de Dantas, do investidor Naji Nahas, do ex-prefeito Celso Pitta e mais 21 investigados. Todos, com exceção de Chicaroni e de Braz - foram soltos por ordem do presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes.
Irmã do banqueiro na mira
Além de processar o banqueiro, o procurador requisitou à Justiça a abertura de inquérito para apurar a participação da irmã de Dantas e do advogado Wilson Mirza na corrupção. Ele busca ainda provas sobre a origem do dinheiro entregue pela suposta organização criminosa ao delegado - RS 129 mil em duas parcelas - e da quantia de R$ 1,18 milhão em espécie, apreendida na casa de Chicaroni durante a Operação Satiagraha.
Para tanto, Grandis pediu ao Banco Central que informe, “a partir da numeração de série das cédulas apreendidas na casa de Chicaroni, as instituições financeiras receptadoras do numerária”. Para o procurador, a denúncia contra Dantas não significa que a procuradoria desistiu de investigar os demais crimes que o banqueiro teria cometido - evasão de divisas, gestão fraudulenta e formação de quadrilha. “Investigações sobre esses outros delitos estão apenas no começo.”
No caso da corrupção, era necessário à procuradoria apresentar a denúncia até pelo fato de os réus Chicaroni e Braz estarem presos - Dantas chegou a ser preso uma segunda vez por ordem do juiz De Sanctis por causa da corrupção, mas foi solto de novo pelo presidente do Supremos, que deu liminar em habeas-corpus pedido pela defesa do banqueiro e submeteu a decisão do juiz De Sanctis ao Conselho Nacional de Justiça (CNJ).
Por enquanto, não há possibilidade de Dantas voltar à prisão. Isso só poderia ocorrer no caso de o plenário do STF negar o habeas-corpus ao julgar o mérito do caso.
OS SUSPEITOS
DANIEL DANTAS Banqueiro e dono do Grupo Opportunity. É acusado de usar empresas para enviar dinheiro ilegalmente ao exterior e, depois, ‘lavá-lo’ para que voltasse ao País.
Segundo a PF, foi mentor da oferta de US$ 1 mi a delegado da PF para ficar fora de investigação.
NAJI NAHAS É acusado de evasão de divisas,lavagem de dinheiro e de se beneficiar de informações privilegiadas.
Segundo a PF, repassava verba ao ex-prefeito Celso Pitta.
CELSO PITTA Acusado de receber dinheiro do exterior sem declaração.A PF suspeita que a verba tenha sido desviada da Prefeitura na gestão de Pitta (1997-2000).
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