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Dilma é convocada para depor
Após novo cochilo da base, oposição chama ministra para se explicar em comissão do Senado
Rosa Costa
A oposição aproveitou novo cochilo da base aliada e convocou a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, para depor na Comissão de Infra-Estrutura sobre o dossiê com gastos do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. Foi contra-ataque à manobra de Dilma, que adiou seu depoimento no Senado.
A convocação de ontem faz parte de uma ‘blitz’. Há mais dois requerimentos no arsenal dos senadores do PSDB e do DEM: um para depoimento na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) e outro na Comissão de Meio Ambiente (CMA).
Há menos de duas semanas, a Comissão de Infra-Estrutura convocou Dilma com o objetivo oficial de ouvi-la sobre o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). Mas oposição avisou que a interrogaria também sobre o dossiê. Esse depoimento deveria ocorrer hoje.
Os requerimentos - dos tucanos, Flexa Ribeiro e Mário Couto, ambos do Pará - foram aprovados em votação simbólica. Isso só foi possível porque nenhum dos chamados aliados fiéis do governo acompanhava os trabalhos da comissão.
O ataque e uma ironia
A líder do PT, senadora Ideli Salvatti (SC), acusou os colegas de “golpe” para levar Dilma ao Senado. “Nesta comissão temos de acompanhar qual é o próximo golpe da oposição”, atacou. Ironizando o cochilo dos governistas, Couto os comparou a camarões “que dormem fora de hora e são levados pela maré”.
O líder do governo, Romero Jucá (PMDB-RR), tentou cancelar a primeira convocação, alegando que o tema está fora das atribuições da comissão. O requerimento de Jucá foi rejeitado pelo presidente da comissão, Marconi Perillo (PSDB-GO). O líder vai recorrer ao plenário.
Pelo regimento, os 30 dias para a ministra atender a primeira convocação termina dia 5 de maio, mas Jucá reiterou que ela só estará disponível depois do dia 29 de abril - às vésperas do feriado de 1º de maio, quando a Casa estará esvaziada.
Líder tucano no Senado, Arthur Virgílio é autor de dois outros requerimentos convocando a ministra. O presidente do PSDB, Sérgio Guerra, alegou que, como Dilma foi a primeira autoridade do governo a falar sobre os cartões - sobretudo a respeito do dossiê contra FHC, suspeito de ter sido montado na Casa Civil - não há porque ela interromper suas explicações. “Nada do que ela disse até agora convenceu”, afirmou Guerra, para quem a oposição está se valendo de recursos “absolutamente regimentais” para ouvi-la.
Nos seus dois requerimentos, o tucano Virgílio afirma que o depoimento de Dilma é necessário “diante das gravíssimas denúncias veiculadas nos órgãos de comunicação sobre a participação de seus subordinados (da ministra) na fabricação de um dossiê para intimidar os parlamentares de oposição”.
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