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Educar com criatividade
Carlo Lovatelli *
Não é novidade que oferecer educação de qualidade é um dos grandes desafios enfrentados pelo Brasil. O sistema educacional brasileiro cresceu, porém ainda não chegou ao modelo ideal. Se é que existe modelo ideal. Muitos alunos possuem baixo grau de escolaridade e os poucos que se formam não estão aptos a atender às demandas do mercado. Segundo pesquisa realizada em 32 países pelo Ministério da Educação/OCDE e pelo Instituto Paulo Montenegro, no Brasil, apenas três quartos da população conseguem ler e entender a idéia central de um texto simples.
Dados recentes do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), organizado pelo Ministério da Educação (MEC), revelam que o desempenho dos alunos da oitava série só vem piorando nos dez anos da avaliação. A média de português caiu de 256.1 pontos, em 1995, para 232, em 2003, e 231.9, em 2005. Já na prova de matemática, a média em 1995 foi de 253.2 pontos, em 2003 foi de 245 e, em 2005, ficou em 239.5.
A média nacional dos alunos do Ensino Médio, que em 2005 foi de 39.41 pontos, em 2006 caiu para 36.9. Em redação, a média foi de 52.08 pontos e, em 2005, ficou em 55.96.
A última análise do MEC revela ainda que há grande diferença na qualidade de ensino entre as escolas da rede pública e da particular e que, entre as 20 melhores escolas do País, somente 5 são públicas.
Atentos a essa realidade, muitos educadores estão repensando seu modo de atuar e se destacando por suas propostas inovadoras. Eles crêem que a educação vai além da sala de aula e do conteúdo pragmático. Mais do que isso: sabem a importância do professor como agente dessa mudança educacional que tanto buscamos.
Com criatividade e ousadia, o educador pode transformar a cidade, a arte e o meio ambiente em fontes de aprendizado, tirando do dia-a-dia a motivação para os educandos. O caminho inverso também é válido: trazer o universo do aluno para a sala de aula, ensinando português, matemática e história, com a ajuda de brincadeiras, músicas e qualquer outra ferramenta lúdica, pode ter um papel imensurável no aprendizado.
Exemplos desse 'professor empreendedor' estão espalhados por todo o País. São profissionais que entendem que ultrapassar a barreira das apostilas e despertar no aluno o interesse genuíno pelo mundo ao seu redor é educar com inteligência. E mais, para eles, o estudante que tem prazer no aprendizado será um adulto bem preparado e crítico.
* VICE-PRESIDENTE DA FUNDAÇÃO BUNGE
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