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'Estamos envergonhados'
Dizendo-se 'envergonhado' por causa dos escândalos envolvendo padres pedófilos no país, Bento XVI iniciou sua visita de seis dias aos EUA. O Pastor Um, apelido do avião da Alitalia que transporta o papa, pousou às15h50 em Washington. O presidente George W Bush, a primeira-dama Laura e a filha Jenna receberam o papa pessoalmente - é a primeira vez que Bush concede a honra de receber um chefe de Estado na base aérea de Andrews.
O papa foi recepcionado com vivas e aplausos dos convidados autorizados a entrar na base. Bento XVI acenou, mas não beijou o chão, como costumava fazer seu antecessor, o carismático João Paulo II. O presidente Bush apertou a mão do pontífice enquanto os cardeais beijaram a mão do papa e se curvaram.
Durante o vôo a Washington, o papa falou sobre os escândalos de abuso sexual que eclodiram em 2002 nos EUA, envolvendo mais de 5 mil padres e milhares de fiéis.
Os EUA são a terceira maior nação católica do mundo. Mas os escândalos sexuais arranharam a reputação da Igreja no país e já custaram aos cofres do Vaticano mais de US$ 2 milhões em indenizações.
'Fico profundamente envergonhado com os escândalos de abuso sexual nos EUA, que causam muito sofrimento à Igreja e a mim', disse. 'Na medida em que leio as histórias das vítimas, é difícil entender como esses padres nos traíram dessa maneira. Sua missão era dar conforto, dar o amor de Deus a essas crianças.'
O papa prometeu fazer o possível para evitar que escândalos como esses se repitam. 'Nós vamos excluir todos os pedófilos do ministério sagrado. Um pedófilo não pode ser padre'. Segundo o papa, a Igreja está supervisionando seminários para se certificar de que os seminaristas não tenham tendência à pedofilia.
“É mais importante ter bons padres do que muitos padres', concluiu o chefe da Igreja Católica.
Casa Branca
Hoje, cerca de 12 mil pessoas devem receber o papa no gramado da Casa Branca. Bento XVI será recepcionado com os hinos dos EUA e da Santa Sé e uma saudação de 21 tiros. Depois, terá um encontro com Bush no Salão Oval.
Apesar de ser protestante, Bush tem afinidade com católicos e indicou vários para seu gabinete. Assessores brincam que ele é um 'católico que não saiu do armário'.
Ele e Bento XVI têm muitas afinidades - ambos são contra casamento gay e aborto. O papa é um americanófilo confesso. Bush parou de beber e o papa prefere Fanta laranja ao vinho. Na sexta-feira, em entrevista a uma rede católica, Bush afirmou que 'vê Deus' quando olha nos olhos do papa Bento XVI.
Mas os dois divergem em relação à pena de morte e à guerra do Iraque. Quando o papa soube da invasão no Iraque, teria erguido os braços e gritado, em italiano: 'Basta!'. O papa também deve falar com Bush sobre a expulsão de imigrantes ilegais nos EUA.
Mas não se espera que Bento XVI venha dar lição de moral. Ele hoje prega uma retirada gradual do Iraque, com cuidados em relação às minorias cristãs do país.
À noite, marcando o aniversário de 81 anos do papa, haverá jantar na Casa Branca - sem a presença do pontífice. Amanhã de manhã, o papa fará uma missa no estádio do time de beisebol Nationals.
Na sexta, ele segue para Nova York, onde fica até domingo. Bento XVI irá discursar na ONU e visitar o Marco Zero do atentado de 11 de setembro. Ele também fará missa no estádio dos Yankees. Para 'vaticanólogos', a visita é um grande teste. O papa, mais cerebral e menos carismático que seu antecessor, tem o desafio de energizar a massa de 70 milhões católicos americanos, muitos decepcionados com a Igreja.
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