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Ação do Bope deixa 9 mortos em favela
Outras 14 pessoas acusadas de tráfico são presas em operação na Vila Cruzeiro
PEDRO DANTAS, pedro.dantas@grupoestado.com.br
Nove supostos traficantes morreram e 14 foram presos durante uma operação com cerca de 100 homens do Batalhão de Operações Especiais (Bope) na Vila Cruzeiro, no complexo de favelas da Penha, na zona norte do Rio. A ação durou todo o dia de ontem. Durante os intensos tiroteios, seis moradores da região ficaram feridos e foram levados para o Hospital Getúlio Vargas. Não há informação sobre o estado de saúde deles.
Segundo o secretário de Segurança Pública, José Mariano Beltrame, o objetivo da operação era cumprir cerca de 15 mandados de prisão e desobstruir os acessos às favelas, a pedido da comunidade.
De acordo com um balanço divulgado pela PM, foram apreendidos uma metralhadora ponto 30, cinco pistolas 9 mm, cinco granadas, três fuzis, uma submetralhadora e uma espingarda calibre 12, além de munição para armas de variados calibres e entorpecentes.
Entre os presos, está um homem identificado como Chininha, acusado da morte do cabo do Bope Wilson Santana, no dia 2 de maio do ano passado.
Ocupação
A operação começou às 9h. Os disparos na troca de tiros entre policiais e traficantes eram ouvidos até a noite no Complexo da Penha. O Bope ocupou o prédio do Grupamento de Policiamento em Áreas Especiais (Gepae), onde permanecerá por tempo indeterminado.
A Vila Cruzeiro tornou-se o principal alvo da polícia do Rio no ano passado, quando a favela, ao lado do Complexo do Alemão, foi identificada como esconderijo de armas e drogas do Comando Vermelho.
Com a morte de dois policiais militares em Oswaldo Cruz, na zona norte do Rio, por bandidos do Alemão, o secretário Beltrame elegeu a favela como prioridade no combate ao tráfico de drogas. A área é o quartel-general da principal facção criminosa do Rio.
Para o secretário, o enfraquecimento da quadrilha do Alemão seria uma estratégia para enfraquecer o Comando Vermelho e, com isso, reduzir crimes em toda a cidade.
Depois de incursões que levaram à morte de dezenas de pessoas, as polícias Civil e Militar realizaram, em junho, uma megaoperação, que levou mais de mil homens ao Alemão. Pelo menos 19 pessoas morreram e 13 foram feridas. Meses depois, uma nova operação foi abortada por causa de falhas mecânicas dos carros blindados, os chamados caveirões.
Com a ajuda da Força Nacional de Segurança, o secretário determinou o cerco permanente do complexo. No fim do ano passado, Beltrame afirmou que pretendia realizar uma nova operação no Alemão e na Vila Cruzeiro, a partir de informações de inteligência, antes do início das obras de urbanização do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), mas ela não aconteceu. Em lugar de uma grande ação, a polícia tem feito incursões pontuais na Vila Cruzeiro desde o início das obras no Alemão.
No fim de março, um homem morreu durante incursão da PM. Um fuzil foi apreendido. No início do mês, houve novo enfrentamento entre policiais e criminosos, mas sem feridos. No último dia 11, dois policiais e outras seis pessoas foram baleadas em tiroteio.
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