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91% das faculdades do País dão descontos
Bolsas visam atrair estudantes; 'é melhor do que perder o aluno', diz presidente de entidade
RENATA CAFARDO, renata.cafardo@grupoestado.com.br
Pesquisa realizada pela Associação Brasileira de Mantenedoras do Ensino Superior (ABMES) mostra que 91% das universidades e faculdades particulares oferecem algum tipo de bolsa ou desconto para seus alunos. Na maioria das vezes, os benefícios são dados pela própria instituição - e não por programas do governo - por razões como mérito acadêmico, idade ou até para alunos transferidos de outras universidades. As bolsas funcionam como uma estratégia para atrair estudantes no mercado cada vez mais concorrido do ensino superior privado.
Apesar de ter sido divulgado só agora, o levantamento foi realizado em 2005 e, portanto, quase não sofreu impacto do Programa Universidade para Todos (ProUni), criado pelo Ministério da Educação (MEC) naquele ano. O ProUni garante bolsas a alunos de escolas públicas em universidades particulares, em troca de isenção fiscal. Em 2005, foram cerca de 100 mil bolsas; em 2006 e em 2007, mais 300 mil.
A pesquisa foi feita com 211 instituições privadas, das cerca de 2 mil no País. Mais de 50% delas surgiram nos últimos seis anos. Segundo projeções feitas com base na amostra, 1,09 milhão de alunos recebiam bolsas totais, parciais ou eram contemplados pelo programa Financiamento Estudantil (Fies), do governo federal.
'É preferível dar a bolsa a perder o aluno', diz o presidente da ABMES e reitor da Universidade Anhembi Morumbi, Gabriel Mario Rodrigues. Segundo ele, a partir do momento em que as instituições atingem o número de alunos que torna viável economicamente manter uma sala de aula, é possível oferecer descontos. 'Normalmente, isso acontece quando metade da classe está completa', explica.
O crescimento no número de bolsas e descontos, segundo especialistas, está relacionado também ao aumento na quantidade de instituições privadas no País. O crescimento foi de mais de 130% desde 1998. Esse ritmo tem diminuído nos últimos anos, quando as instituições passaram a notar a saturação do mercado e a falta de alunos.
Carentes
As bolsas e os descontos também são um reflexo do aumento do número de estudantes de baixa renda no ensino superior e uma maneira de combater a inadimplência, que está em torno de 20%.
Na Universidade Cruzeiro do Sul, 50% dos alunos recebem algum tipo de bolsa. 'Premiamos os alunos que demonstram interesse', diz o pró-reitor de extensão, Jorge Onoda. Lá, quem acerta 75% das questões do vestibular ganha bolsa total. Karina Cavicchioli, de 21 anos, cursa veterinária de graça. 'Não teria condições de pagar R$ 1.200 por mês se não fosse a bolsa', conta ela, que só prestou vestibulares de instituições públicas ou particulares que garantissem bolsas.
No Centro Universitário UniRadial, quanto mais velho for o aluno, mais desconto recebe. As bolsas variam de 10% a 35%. Outro benefício é o convênio com empresas e sindicatos para que funcionários ou associados recebam descontos. 'Foi uma maneira atrativa para estimular o acesso ao ensino superior', diz a diretora de marketing da UniRadial, Gidel Deungaro. Na instituição, 85% dos alunos recebem algum tipo de bolsa.
CENÁRIO
73% dos universitários vivem em famílias com renda de até 10 salários mínimos (R$ 1.750)
26% dos universitários não trabalham e são sustentados pelos pais, segundo o MEC
75% das instituições oferecem bolsas de até 100% a alguns de seus alunos
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