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Atendimento de primeira
Novo hospital público , que deve abrir no dia 5, vai ter 28 andares e ambientes diferenciados
BÁRBARA SOUZA, barbara.souza@grupoestado.com.br
Os 28 pavimentos do futuro Instituto do Câncer, na Avenida Dr. Arnaldo, nem de longe lembram os corredores muitas vezes deprimentes da maioria dos hospitais públicos do País. O instituto, previsto para ser inaugurado no dia 5, vai nascer com atendimento humanizado.
'Esse clima que se sente ao entrar num lugar agradável, bonito, bem cuidado, já faz parte desse conceito de atendimento', explica a psicanalista Eliana Ribas, coordenadora do projeto do instituto e ex-coordenadora do Programa Nacional de Humanização.
Logo na entrada, o paciente é recebido com uma enorme e colorida tela de pastilhas do artista plástico Romero Brito. Dali para os demais ambientes, tudo está sendo feito para reduzir o trauma do paciente com câncer e sua família.
Assim, o treinamento com foco nesse tipo de atendimento incluirá todo o corpo de funcionários, do faxineiro ao chefe da equipe médica. 'A humanização tem de ser entendida como uma atitude que vai permear todas as ações do trabalho', afirma Eliana, para quem o bem-estar dos funcionários está intimamente ligado ao bom andamento do hospital e do atendimento correto ao paciente. 'Se deixamos o profissional cansado, num ambiente em que ele não se sente bem, não vai prestar um bom atendimento.'
Para isso, o hospital terá um grupo de trabalho, com representantes de todas as áreas. 'O atendimento humanizado tem de fazer parte do trabalho como um todo', diz.
Reforma
Antes um esqueleto abandonado por anos, onde seria construído o Hospital da Mulher, já está recebendo os móveis - das cadeiras das recepções, aos 580 leitos de internação, as camas das Unidades de Terapia Intensiva e os equipamentos de última geração das salas de cirurgia - uma delas, de funcionamento inteligente, em que toda a operação poderá ser acompanhada on-line por outros profissionais ou instituições em qualquer lugar.
As paredes ganharam tons pastéis, com placas indicativas nas cores azul e verde. Os tetos são brancos, com iluminação ampla. Nem todos os ambientes terão ar-condicionado. Os reservados ao atendimento ambulatorial e internação, por exemplo, contarão com um sistema conhecido como 'forro gelado' - um sistema em que a água fria circula por serpentinas pelo teto e climatizam o ambiente.
Com todo o sistema de comunicação interligado, o paciente saberá, por exemplo, qual sua ordem de atendimento, quanto tempo vai aguardar e para qual local deve se dirigir. Tudo isso tem o objetivo de evitar filas, segundo Eliana. 'O tempo de espera terá que ser curto.'
Há ainda outras ações conjuntas, que vão garantir mais diferenciais no atendimento. O paciente que for internado terá direito a um acompanhante e as visitas serão abertas, sem horário fixo, como ocorre nos hospitais particulares. 'O paciente sempre terá informação total do seu estado de saúde, dos exames e tratamento.'
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