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Aécio força Serra a negociar
Mineiro diz que trabalha para 'criar espaço novo' e quer discutir com governador a candidatura presidencial do PSDB
Christiane Samarco
Peça-chave de uma dobradinha que deve unir PSDB e PT em torno da disputa pela prefeitura de Belo Horizonte, o governador de Minas, Aécio Neves, avisa que não quer deixar o PSDB e não acha prudente elevar a temperatura entre tucanos, antecipando a briga pela sucessão do presidente Lula em 2010. Aécio patrocina romaria de conversas em seu Estado e mantém encontros País afora por uma razão: quer mostrar à cúpula tucana que o jogo pré-eleitoral terá de passar por Minas.
Em português claro, o objetivo pontual é obrigar o colega tucano e governador de São Paulo, José Serra, a negociar com ele a candidatura presidencial. A quem o questiona, Aécio diz que trabalha para 'criar um espaço novo na política brasileira', que não é de confronto.
Exemplo de BH
Ignorando o agressivo embate entre tucanos e governistas no Congresso, Aécio afirma que '2010 não é agora, mas é sempre hora de mostrar que é possível haver diálogo entre as forças políticas, mesmo as que disputam o poder há 20 anos'. Ele aponta Belo Horizonte como exemplo concreto de que a convergência é possível. Lá, ele e o PT do prefeito Fernando Pimentel fecharam acordo para lançar Márcio Lacerda (PSB) à corrida municipal.
Pimentel já disse que o PT mineiro não criará entraves à aliança, ressaltou seu respeito por Aécio - 'se o Brasil o elegesse, estaria elegendo um excelente presidente' - e frisou a simpatia de Lula pelo governador. Mas ponderou que o presidente jamais poderia apoiá-lo, enquanto estivesse no PSDB. Enquanto isso, o PMDB já fez e refez propostas a Aécio para que se filiasse à legenda, rumo a vôos maiores em 2010.
Convite do PMDB
O convite para que Aécio trocasse de legenda, com a bênção de Lula, foi público. Ocorreu num jantar, duas semanas atrás, e irritou o PT. Até o PMDB sabe, no entanto, que hoje Aécio não cogita deixar o ninho tucano. Em conversas reservadas, Aécio diz que procura apenas se posicionar no campo eleitoral. Pondera que essa é a forma que tem de 'garantir espaço para jogar'.
Antes de jantar com o PMDB, a aliança com o PT da capital já estava fechada. Depois do encontro com líderes, governadores e ministros do PMDB, ele recebeu a visita de petistas ilustres como o senador paulista Aloizio Mercadante.
Não por acaso, mostrou simpatia pela candidatura do deputado Fernando Gabeira (PV-RJ) a prefeito do Rio, na mesma tarde em que abriu seu gabinete à Força Sindical do deputado Paulo Pereira da Silva (PDT-SP). Por fim, teve conversa com o líder do DEM na Câmara, ACM Neto (BA).
Em defesa de prévias
Aliados de Aécio no PMDB dizem que ele explora o aceno de Lula, como opção de candidatura da base governista, mas não ignora real motivo do apreço presidencial: rachar o PSDB e enfraquecer a candidatura Serra. Por isso, cuida para não citar o governador paulista, que as pesquisas apontam como nome da oposição mais forte para 2010. Diz apenas que tem estilo diferenciado de fazer política, que os amigos classificam de 'mais agregador'. No PSDB, ele defende a realização de prévias para a escolha do candidato.
Sobre o perfil do 'candidato ideal' para 2010, Aécio diz que será aquele que demonstrar mais capacidade não apenas de ganhar a eleição, mas sobretudo de governar. Por isso, apresentou-se aos peemedebistas como o candidato pós-Lula, não como o anti-Lula.
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