| |
Foi uma corrida maluca
Primeira prova do ano foi recheada de acidentes. Só seis carros vão até o fim e Hamilton vence na Austrália
Livio Oricchio
Melbourne - O que há em comum entre os GPs do Canadá e do Japão, em 2007, e o da esperada abertura do Mundial, ontem, na Austrália? Foram as três provas mais tumultuadas dos últimos anos na Fórmula 1. Mas há um outro ponto que une as três corridas: em todas, o vencedor foi o jovem talentoso inglês Lewis Hamilton, da McLaren. “Começar o campeonato dessa forma é uma sensação fantástica, sinto-me bem mais preparado que em 2007”, disse o vice-campeão do mundo, que será sempre lembrado pela incrível perda do título no ano passado.
Ontem, na Austrália, o safety car entrou três vezes na pista. Toques entre pilotos, acusações, abandonos, escapadas da pista, equívocos dos mecânicos e acidentes. Tudo em profusão diante de um público superior a 100 mil pessoas, aturdidas com o calor de 37 graus. Esse foi o cenário ao longo das 58 voltas no circuito Albert Park, em Melbourne. “Parte dessa confusão toda pode ser creditada às novas regras”, disse Hamilton. A proibição de recursos como o controle de tração, o auxílio freio-motor e o sistema automático de largada deixou os carros bem mais difíceis de serem pilotados.
Enquanto Hamilton celebrava a quinta vitória na carreira de 19 GPs e a liderança do campeonato, a Ferrari recolhia os cacos de seu desastroso fim de semana.
Para começar, seus pilotos deveriam fazer um curso de reciclagem. Felipe Massa rodou sozinho na segunda curva depois da largada, quando era quarto, e depois se chocou contra o escocês David Coulthard, da Red Bull. O campeão Kimi Raikkonen pareceu um estreante ao ir para a brita em duas ocasiões. Os dois abandonaram com motor quebrado. Ocorre que aconteceu tanta coisa estranha, que mesmo assim Raikkonen terminou em oitavo.
A exemplo de Hamilton, o alemão Nick Heidfeld, da BMW, outro piloto mais cerebral, costuma se dar bem em competições cheias de alternativas como a de Melbourne. Acabou em segundo, como já fora em Montreal-2007. “Tivemos um início de preparação bastante difícil neste ano, mas a equipe realizou um trabalho excepcional para melhorar o carro”, opinou.
O paddock do circuito estava mais festivo, ontem, com a volta da Williams ao pódio. Outro representante da geração jovem da Fórmula 1, Nico Rosberg, confirmou as imensas potencialidades do modelo FW30-Toyota da organização de Sir Frank Williams ao levá-lo ao terceiro lugar, primeiro pódio do filho de Keke Rosberg, campeão do mundo de 1982.
A convincente terceira colocação de Nico o levou a afirmar: “Tivemos o pior início possível, sexta-feira, com eu e meu companheiro (Kazuki Nakajima) parados nos boxes. Mas depois o carro confirmou o que esperávamos. Acho que terei um bom ano”.
E quando a prova é seletiva dos mais capazes, a figura do piloto mais completo hoje da competição não poderia ficar de fora. Fernando Alonso, da Renault, conseguiu o quarto lugar, depois de largar em 11º. No braço. “Tiramos o máximo que dava hoje. Esse resultado é importante para nosso grupo, um incentivo, mas temos muito o que fazer ainda para tornar nosso carro melhor.”
Seu parceiro de equipe, o estreante Nelsinho Piquet, abandonou na 30ª volta por quebra do câmbio. Não esteve bem no fim de semana, ao contrário de Rubens Barrichello, sexto colocado com a Honda, mas desclassificado por não respeitar o sinal vermelho na saída de box.
Pista & Box
Flavio Briatore sobre a reestréia de Fernando Alonso na Renault: “Esse quarto lugar é dele. É o Alonso que conheci. Sozinho é capaz de fazer o time inteiro crescer com sua capacidade.” O italiano falou do seu melhor momento no fim de semana: “Quando vi a cara de Ron Dennis, na TV, no instante que Alonso reultrapassou Kovalainen.”
Nicolas Todt, empresário de Felipe Massa (ao lado) e Sebastien Bourdais, a respeito do brasileiro: “Situação muito difícil. Vimos que recuperar ponto perdido no início do campeonato não é fácil. Austrália nunca foi um GP bom para ele”
Na estréia em Interlagos, ano passado, Kazuki Nakajima, com Williams, atropelou seus mecânicos ao frear tarde no pit stop. Ontem bateu na traseira da BMW de Robert Kubica, ocasionando seu abandono. O japonês é veloz, mas comete vários erros. O de ontem lhe custará a perda de dez colocações no grid no GP da Malásia, como punição. Mesmo assim, levou para casa três pontos do sexto lugar.
|