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Sexta-feira, 14 março de 2008   edições anteriores
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  Para especialista, 'pancadão dá voz aos seres acuados'

E no funk, a sexualidade é exercida com agressividade

O funk fala a linguagem das comunidades da periferia - a revolta, o desalento social, a falta de perspectiva, o meio ambiente hostil - , por isso provoca identificação nos jovens. Essa é a opinião de Suely Gevartz, professora do Instituto Sede Sapientiae e especialista em comportamento.

'O funk fala da revolta e da incapacidade de promover mudanças sociais. É tão agressivo quanto a agressividade que ronda essas comunidades. Na verdade, dá voz aos seres acuados', opina Suely.

Esse contexto de desesperança, segundo ela, encontra ressonância em outro aspecto da atual geração de jovens: a falta de referências. 'As gerações passadas tiveram músicas que se tornaram símbolos de uma época, eram bandeiras da ideologia como Para Não Dizer Que Não Falei das Flores, Coração de Estudante ou Alegria, Alegria. Essa juventude não tem esses ícones, só vive o descartável, como são as músicas do funk'.

A sexualidade exacerbada do funk é outro ponto abordado pela professora . 'É uma sexualidade exercida com agressividade onde não existe a preocupação com o outro', avalia a psicanalista Suely. Para ela, as adolescentes que vão aos bailes com tanto apelo sexual não têm noção do que estão de fato fazendo. 'Elas não têm estrutura psíquica para essa exposição. Dá para dizer que é como se fossem submetidas a um estupro moral onde são desvalorizadas, mas não percebem isso', finaliza a especialista.



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