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Sem controle da própria vida
Eduardo Moscovis é um diretor de teatro à beira da loucura no filme ‘Sem Controle’, que estréia amanhã
Franthiesco Ballerini, franthiesco.ballerini@grupoestado.com.br
Uma curiosidade pouco conhecida da História do Brasil virou um intrigante suspense nas mãos da diretora Cris D’Amato. Sem Controle, que estréia no País amanhã, tira do baú a existência da pena de morte no Brasil colonial e um caso isolado que fez com que o imperador Dom Pedro II decidisse extinguir tal punição no País.
Em 1855, o fazendeiro Manuel da Motta Coqueiro foi acusado de matar a família inteira de Francisco da Silva. Após seu enforcamento, levantou-se a suspeita de que ele era inocente, levando o imperador a repensar a existência da pena de morte. Ele não foi o último a morrer pela pena, mas foi o mais famoso, especialmente porque sua morte jogou uma lenda sobre a cidade de Macaé (RJ), de que ele teria lançado uma maldição sobre ela, dizendo que teria 100 anos de atraso pela injustiça cometida - se isso for verdade, ela acabou em tempo porque Macaé nunca esteve tão próspera graças às bacias petrolíferas.
Cris D’Amato - estreando como diretora mas carregando no currículo 29 filmes como assistente de direção - não explora com profundidade esta história, mas a utiliza como pano de fundo para contar a trama de Danilo (Eduardo Moscovis), diretor de teatro em franco processo de enlouquecimento após uma tentativa frustrada de dirigir uma adaptação teatral sobre o desfecho de Motta Coqueiro. “Não quis dar aula de história, mas contar uma trama que interessasse a todos, inclusive minha filha adolescente. E como vim do teatro, quis misturá-lo ao cinema e deixar o roteiro menos convencional”, diz.
Internado em uma clínica para doentes mentais, Danilo conhece Aline (Milena Toscano), lindíssima garota que fica obcecada por ele. A partir de então, ficção e realidade começam a se misturar, desembocando num final dúbio e no mínimo aterrorizante e perturbador.
Além desta mistura de ficção com realidade, outro grande acerto da diretora foi a escalação do elenco principal. Moscovis é o ator ideal para o papel. Introspectivo, é competente ao dar um ar psicótico e perturbador ao personagem, algo que ele já faz muito bem em seus trabalhos no teatro. E Milena Toscano parece ser mesmo dona de um grande talento artístico. Ironicamente, foi rejeitada pelos diretores de Malhação. Seguiu para o cinema, onde fez Olga. Em Sem Controle, tinha 22 anos e imprime um olhar de Lolita, de garota falsamente inocente, profundamente dúbia e até atrativa para muitos homens. “O Eduardo foi o primeiro a ler o roteiro e aceitar o papel. Tirando ele, eu não queria que os outros papéis fossem feitos por atores muito conhecidos na televisão, para que os espectadores os identificassem com aqueles personagens”, diz a diretora. Cris D’Amato contratou também psicólogos e psiquiatras para ajudar a dar veracidade às cenas de Danilo na clínica. “Visitamos clínicas psiquiátricas que fazem a reintegração do paciente à sociedade. Em seguida, pedimos para os atores irem às clínicas conhecerem as patologias com as quais iriam trabalhar”, diz a diretora.
DIVIRTA-SE Sem Controle (Idem/2006, 90 minutos). Direção. Cris D’Amato. Com Eduardo Moscovis, Milena Toscano, Vanessa Gerbelli e Dirce Migliaccio. Estréia amanhã no Brasil
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