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'Com brasileiro não há quem possa'
Talvez a torcida preferisse ganhar a Copa do Mundo da Fifa a sediá-la. Mas, de fato, promover os jogos, transmitidos diretamente para o mundo todo, de um esporte popular como o futebol, que ganhou status de paixão popular, chega a ser mais profícuo até que simplesmente satisfazer a população de nossa “pátria de chuteiras”. Em 2014, como ficou oficializado em Zurique, na Suíça, os brasileiros terão uma oportunidade ímpar de ganhar dinheiro com o afluxo de turistas, criar muitos empregos novos e aproveitar investimentos em infra-estrutura exigidos para ter tal privilégio, além de outros benefícios.
Ainda assim, a comitiva que cruzou o Atlântico (esta, sim) para o Velho Continente foi a definitiva conquista de um troféu que não honra as tradições do futebol profissional do Brasil, cinco vezes campeão mundial e maior exportador de craques fora de série para os clubes do Hemisfério Norte. Afinal, o vídeo promocional das ações governamentais contra a pobreza e dos investimentos anunciados para o Programa de Aceleração do Crescimento faria sentido se houvesse necessidade de provar que este país teria melhores condições que outro para promover o torneio. Sem opositor nenhum, o Brasil passou a merecer, então, o título mundial do ufanismo brega: “nunca antes” na história de 76 anos da disputa houve uma delegação tão grande para vender um peixe tão óbvio - o presidente da República, dois ministros e 12 governadores, entre os quais os tucanos José Serra, de São Paulo, e Aécio Neves, de Minas Gerais. Ou seja: oito anos antes de a bola rolar, impingimos ao mundo o espetáculo grotesco e permanente de nossas disputas eleitorais, cujo ápice terminou sendo a provincianíssima pendenga entre paulistas e mineiros pela sede da partida de abertura. Uma vez que é consensual a realização da final no Maracanã, no Rio.
Os supersticiosos poderão temer em 2014 a repetição, 64 anos depois, da derrota para o Uruguai na final da Copa de 1950, como um novo fiasco anunciado - isto, é claro, se até lá o MST não houver ocupado o gramado do maior do mundo. Os críticos impenitentes reclamaram da ausência do maior craque do século no palanque armado em Zurique para o show eleitoral de 2010, embora para isso seja duvidoso que Pelé tenha feito falta. Mas isso é menos relevante que a cortina de fumaça que os cartolas da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), com Ricardo Teixeira à frente, querem baixar para impedir que se abra uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar os desmandos eventualmente cometidos por “cartolas”. Dissipados os temores de que a Fifa não homologasse a óbvia pretensão brasileira, urge, ao contrário, que se faça uma faxina radical no lixo que a “cartolagem” insiste em empurrar para debaixo do tapete. Até para evitar que o campeonato da caipirice explícita não atrapalhe o objetivo de evitar um novo Maracanaço em sete anos.
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