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Médico diz que plano interfere no tratamento
A maioria dos médicos se queixa que as empresas não autorizam consultas e exames necessários
Felipe Grandin e Ana Carolina Moreno
Quase metade dos médicos paulistas credenciados em planos de saúde afirma que as operadoras interferem no tratamento do paciente. É o que revela pesquisa feita com 400 médicos do Estado e divulgada ontem pelo Conselho Regional de Medicina de São Paulo (Cremesp).
Dos 55% que atendem convênio, 43% afirmam sofrer restrições ou imposições das operadoras. A maioria ( 82%) se queixa que as empresas não autorizam consultas, exames e procedimentos considerados necessários.
Outros 55% dizem que os convênios interferem no tempo de internação dos pacientes. E 22% reclamam que as operadoras os forçam a quebrar o sigilo dos pacientes e dizer, por exemplo, se eles têm uma doença pré-existente ou fumam.
'Todas as queixas são muito graves e decorrem de uma lógica de lucro, que infelizmente está afetando a medicina privada', afirma o presidente do Cremesp, Henrique Carlos Gonçalves. 'Quando você interfere nas posições do médico ou deixa de fazer um procedimento, pode provocar a morte de uma pessoa. É um dano irreparável, não dá para medir em dinheiro.'
O presidente da Associação Brasileira de Medicina de Grupo, Arlindo de Almeida, acredita que as reclamações são exageradas e nega que haja interferência. 'Nenhum médico é obrigado a atender convênios e muito menos a aceitar interferências - que, aliás, considero absurdas', diz Almeida.
Ele afirma que os protocolos e exigências pedidos na hora de liberar os exames e procedimentos são necessários para padronizar o atendimento e evitar desperdícios. 'Os recursos são limitados e devem ser bem aproveitados', justifica. 'Eles reclamam, mas tem uma fila imensa para se credenciar.' Procurada, a Agência Nacional de Saúde Suplementar, que regula o setor, não se pronunciou até ontem à noite.
Além da interferência dos planos de saúde, a pesquisa apontou que os médicos paulistas estão sobrecarregados. Mais da metade dos profissionais ouvidos no levantamento tem três ou mais empregos e apenas 18% trabalham somente em um local. A carga horária média desses profissionais é de 52 horas por semana, sendo que um terço - principalmente os mais jovens - trabalham mais de 60 horas semanais.
Baixos salários
'Sem dúvida alguma está acima de qualquer outra categoria', afirma Gonçalves. Para ele, esse ritmo de trabalho afeta o desempenho do profissional e pode prejudicar os pacientes. 'O médico se mantém num regime de estresse permanente e isso repercute no rendimento.' Segundo Gonçalves, a culpa é dos salários, que considera baixos: 26% recebem entre R$ 3 mil e R$ 6 mil; 19%, entre R$ 6 mil e R$ 9 mil. Já os médicos com salário acima de R$ 12 mil compreendem 12% do total.
'Sou o único cirurgião de mão dos convênios que englobam uma população de 500 mil a 600 mil pessoas'. JORGE DE ABREU IZIQUE JRPS ESPECIALISTA EM CIRURGIA DE MÃO
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