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Preço do gás natural deve subir
Afirmação sobre aumento é do presidente da Petrobrás. Segundo ele, estatal não tem como atender demanda
O preço do gás natural deve subir para os consumidores brasileiros. Essa afirmação foi feita ontem pelo presidente da Petrobrás, José Sérgio Gabrielli, em entrevista, em Londres, à BBC. Ao ser perguntado se o preço do produto deve sofrer aumento no médio e longo prazos no Brasil por falta de oferta, Gabrielli respondeu: 'Sim, eu acho que você está certo'.
O presidente da estatal não disse quanto nem quando o gás natural deve ficar mais caro, mas deixou claro que a Petrobrás não tem como atender à demanda pelo produto 'pelo menos no curto prazo'.
No Rio, a diretora de Gás e Energia da Petrobrás, Maria das Graças Foster, seguiu a mesma linha, ao afirmar que o 'preço do gás tem de pagar o custo de exploração e produção' do produto. Segundo ela, a Petrobrás já vem adotando uma estratégia de elevar o preço, ao reajustar trimestralmente seus contratos, após dois anos de descontos. Para o consumidor final, porém, o preço é fixado pelas distribuidoras e reajustado anualmente.
Os dois executivos criticaram também o preço do gás natural veicular (GNV) no País. 'Para mim é absolutamente claro que o preço do GNV nas bombas não corresponde à realidade', disse Graça.
Em razão da expansão do consumo e da oferta restrita de gás natural, a Petrobrás reduziu, anteontem, o fornecimento do produto para algumas distribuidoras. No Rio, empresas do setor químico e de vidros tiveram suas atividades interrompidas e 89 postos de GNV ficaram sem combustível. Porém, uma liminar judicial obtida pelo governo do Estado restabeleceu ontem o fornecimento. Em São Paulo, um acordo entre empresas e a Petrobrás, que se comprometeu a fornecer óleo combustível em contrapartida, evitou o desabastecimento.
Contrato
'Gás não é uma coisa que se compre em supermercado. A questão do gás é uma questão de contrato', afirmou Gabrielli, em Londres. Ele declarou que a estatal irá recorrer da decisão judicial que a obrigou a restabelecer o volume de fornecimento à CEG (distribuidora no Rio) e à Comgás. A alegação do executivo é de que há contratos que têm de ser respeitados, com térmicas, distribuidoras e com a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel).
Segundo Gabrielli, as distribuidoras não foram surpreendidas pela redução no fornecimento e que há meses a Petrobrás negocia com CEG e Comgás e alertando para o risco que representaria um período de seca, que obrigaria a empresa a reduzir o volume ao determinado em contrato. 'Eles (CEG e Comgás) estavam tirando mais gás do que o previsto no contrato. Estávamos discutindo contratos mais flexíveis, com planos alternativos para os consumidores. Mas isso não depende da Petrobrás. Não temos como administrar a entrega do gás até o consumidor final.'
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