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Quem é do bem, se dá bem
Etiqueta e carisma são essenciais ao profissional
Carina Flosi, carina.flosi@grupoestado.com.br
A qualificação não é o único requisito que leva o profissional à tão desejada promoção no trabalho. Diplomas, idiomas, viagens ao exterior, elegância e bons modos ainda pesam no momento de o chefe escolher quem vai ocupar a vaga disputada pela equipe. Mas, atualmente, a etiqueta é um fator que pode fazer a diferença. Ser considerado 'do bem' ou 'popular' aumenta, e muito, as chances de subir na carreira.
Para o consultor de carreiras Max Gehringer, usar a etiqueta é ter a habilidade de divulgar seu trabalho e se tornar conhecido na empresa, inclusive em outras áreas. 'Pessoas carismáticas e prestativas têm muito mais chances de ascensão do que pessoas que se limitam a fazer bem somente suas obrigações', orienta.
A consultora em etiqueta e marketing pessoal Lígia Marques dá a dica: 'Hoje, além de saber se vestir, dominar línguas, aperfeiçoar seus estudos, o trabalhador, acima de tudo, tem de ser visto como uma pessoa de bom caráter, ética, agradável. Enfim, aquela que todos gostariam de ter ao lado. Um modelo na empresa.' E sugere: 'O modo como a pessoa se comporta no dia-a-dia deixa resíduos, bons ou ruins, que acabam sempre sendo lembrados. Portanto, investir em cortesia e boas maneiras ajuda o profissional na construção de sua imagem.'
Uma pessoa bem-humorada, sempre de alto astral e que, apesar de sua posição, sabe lidar com todos os funcionários - desde os mais humildes - de forma simpática, por exemplo, é aquela que tem mais probabilidades de evolução na carreira. 'De nada adianta vestir-se com um terno Armani, falar fluentemente sete línguas, ter MBA e não cumprimentar o porteiro do prédio ao chegar na empresa', orienta.
Bonzinho, mas com categoria
Os consultores também alertam: não dá para somente contar com o alto-astral e muita disposição para ajudar a equipe. Essa postura pode ser considerada como passividade e submissão.
'Pode acontecer de esse funcionário exemplar se transformar no famoso bonzinho. Aquele que é querido pelo chefe, estimado pelos colegas, elogiado por todo mundo, mas que passa anos e anos fazendo a mesma coisa. Isso porque ele não reclama, nem pede oportunidades.'
Então, quando é a hora de unir as habilidades pessoais aos conhecimentos técnicos para sentar ao lado do chefe e negociar outra função? 'Já no primeiro dia de trabalho começa o processo de promoção do profissional. Primeiro, ele tem de ter a consciência de que sempre está sendo observado e, por isso, precisa se policiar. Depois, deve tentar ser bem quisto ao expressar suas opiniões', explica Lícia Egger, consultora em etiqueta corporativa.
Ou seja, a promoção não vem de um dia para o outro. Ela é resultado da avaliação de quanto o trabalhador contribuiu para o desenvolvimento da empresa. 'E isso somente será mostrado se você for simpático, agradável. Caso contrário, ninguém notará. Você precisa se fazer notar sem ser banal', avalia.
Ainda dá tempo de mudar?
Se você chegou até aqui ao ler essa matéria e está pensando: 'Mas eu já me sinto barrado no baile. Acho que não sou visto como popular ou simpático na empresa. Ainda dá tempo de usar minhas habilidades pessoais para progredir?'. A resposta é: sim. Todos os consultores em gestão de pessoas afirmam que sempre dá tempo de passar uma borracha na imagem riscada e redesenhá-la (veja ao lado como não se comportar). 'Para abrir a janela que foi fechada em algum momento na empresa ao acordar, decida: 'hoje vou agir diferente'. Entre no trabalho sorrindo. Cumprimente todos. Passe a respeitar opiniões. Na hora que você sorri ou trata bem, as pessoas esquecem naturalmente. Quebrar a casca que deformou sua imagem na empresa é fácil', orienta Ana Cristina Limonge , professora da USP e especialista em qualidade de vida no trabalho. 'Sempre dá tempo de surpreender. Aos poucos, o profissional reconquista o que perdeu. Basta pensar no trabalho como um casamento. Ele deve aprender a ceder. Hoje eu cedo, amanhã o colega. Existe esse acordo velado, que deve ser cumprido para dar certo', acrescenta Lícia.
E a sugestão principal dos especialistas é: que tal começar agora a mudar os hábitos e se dar bem?
DICAS PARA SE TORNAR POPULAR
Não economize no “bom dia” e “obrigado”. Sorria e cumprimente todos os colegas do trabalho. Não deixe ninguém esperando. Se não puder ou não quiser atender, peça um minuto ou remarque a conversa. Mostre educação Não banque o durão só porque está no trabalho. Mostrar sensibilidade e atenção faz a diferença na hora de fechar um negócio ou trabalhar com a equipe Seja ousado e confiante. Não tenha medo de mudar. Procure sempre novas atividades e interesses que possam mostrar sua real capacidade de trabalho Mostre sempre honestidade e bom caráter, até nas pequenas ações. Ética e sinceridade são cada vez mais valorizados
Fofoqueiro
Esse é famoso. Por motivos óbvios, sempre está atento a tudo e a todos na empresa. Acredita que é popular e aborda as rodinhas somente para contar ‘a última’. Só ainda não percebeu que, cada vez mais, perde a confiança e credibilidade entre a equipe e os chefes no local de trabalho
Chaminé
É o inconveniente que, mesmo sabendo que ao lado estão os colegas não-fumantes, insiste em dar suas tragadas como se nada estivesse acontecendo. Além de pegar mal, ele vai sempre ser lembrado pelos maus modos
Banho de cheiro
Os dez perfumes mais vendidos no mundo podem estar ao seu lado. A sensação é até boa. Mas no primeiro dia. O problema é quando o colega persiste na fragrância e deixa o ar ‘contaminado’
Venenoso
É aquele que tenta destruir, sutilmente, a boa idéia ou o projeto promissor de alguém da equipe. Aos poucos, ele vai mostrando o seu ‘peso’ com piadinhas e frases de efeito que podem acabar com as boas intenções alheias
Dia de fúria
Você tem até receio de dizer “bom dia”. Ele está sempre com a cara amarrada, não dá espaço para aproximação e não sabe separar os problemas pessoais e os do emprego. Energias negativas que costumam sobrar para a equipe
Auto-falante
Não importa se essa pessoa está conversando com o chefe, cliente ou com a própria mãe, você sempre sabe o assunto. Motivo: ela faz questão de que o colega participe “como ouvinte” do diálogo. Fala alto, solta gargalhadas ou berros. Ou seja, o tom de voz não faz a mínima diferença. Para ele!
COMO MELHORAR A IMAGEM
Aprenda a ouvir, mesmo quando está sendo contrariado Se precisar, mude de opinião. Peça desculpas quando necessário. Não deixe ninguém magoado Mostre simpatia. Torne-se agradável até nas situações delicadas Interaja. Passe a freqüentar happy hours, festas de final de ano e aniversários. Mostre que quer participar em todos os momentos Seja humilde. Em qualquer cargo, é importante acabar com a impressão de arrogância e prepotência. Ninguém precisa lembrar de você como aquele que acredita ser “o máximo” Evite conversas embaraçosas ou discussões nas reuniões Não tenha medo de elogiar os colegas quando achar pertinente
Exemplo veio da educação dada pela família
O empresário Phillip Krinker, de 47 anos, trabalhou 29 como executivo em multinacionais. Este ano decidiu abrir sua própria empresa. Ele acredita que a etiqueta pessoal faz o “profissional-exemplo”. E hoje, nas entrevistas para selecionar seus funcionários, avalia a capacidade de eles lidarem com a equipe até nos momentos de crise. Krinker admite que a educação exemplar que adquiriu na adolescência em um colégio interno na Escócia fez diferença em suas relações aqui no Brasil. No entanto, credita à ética e à honestidade as razões pelas quais se tornou um executivo bem-sucedido. “Ao pisar em meu primeiro emprego, aos 18 anos, já usei o modelo que aprendi em casa, com o meu pai. Sempre fui ético. E era assim que meus colegas me reconheciam e eu fui valorizado”, diz. A dica do empresário é que os profissionais se afastem das intrigas. “Fugia de qualquer clubinho. Sempre procurei na simpatia e na dedicação a fórmula para ser querido pelos meus colegas e, ao mesmo tempo, agregar à empresa.”
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