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A 'mágica selvagem' de Juliette em São Paulo
A atriz e roqueira Juliette Lewis leva a sua banda, Juliette & The Licks, à premiação da MTV, na quinta. Em entrevista ao Jornal da Tarde, ela garante: ‘Não somos doidões’
Jotabê Medeiros
Domingo à tarde, fome, leseira, e ainda assim é um grande prazer falar com a cantora e atriz Juliette Lewis por telefone. O pretexto era o show que ela fará na quinta, no VMB, a festa dos prêmios da MTV brasileira. “Vai ser uma apresentação curta, apenas para dar um primeiro gosto da mágica selvagem de Juliette & The Licks”, ela anuncia, com uma voz rouca, que parece curtida em muitos quilos de fumaça prensada em pubs e clubinhos. “Passamos dois anos excursionando pela Europa, Estados Unidos e todo o mundo. Ouvi todo tipo de música: Queens of Stone Age, Killers, Foo Fighters. Adoro Queens of Stone Age. E ouvi muita coisa também que não é do rock”, vai disparando Juliette, cujo estilo não é o de simular ou falsear nada.
Sua banda só tem homens. E vocês já estão excursionando juntos há dois anos. Não rolam desentendimentos?
Pode ser difícil tanto tempo na estrada com as mesmas pessoas. Mas a coisa mais importante é que todos amamos o que fazemos. O que nos une é a idéia de fazer o mais poderoso show ao vivo, com elementos de surpresa. Não é uma banda doidona. Não usamos drogas, ninguém é ‘ligadão’. São pessoas com grande senso de humor e, o mais importante, eles me respeitam como sua líder. É uma posição difícil. Tive de demitir o baterista anos atrás, porque o cara estava doidão o tempo todo. Algumas pessoas não conseguem lidar com esse cotidiano.
E você não vai voltar ao cinema?
Claro que vou. Sou apaixonada pelo cinema. Mas não agora. Agora estou na estrada. É difícil, porque o cinema toma muito tempo, e os projetos de cinema estão nos planos e nos calendários dos diretores, não nos meus. Está completamente fora da minha decisão.
Você costuma compor quando está excursionando ou quando está de folga?
Não fazemos a coisa inteira na estrada. Eu diria que plantamos sementes. Durante passagens de som, nós criamos riffs de guitarra, fraseados, gravamos algumas demos com esse material. Depois, vamos melhorando. Todo o disco Four on the Floor foi gravado na estrada. Prefiro desse jeito, é mais desafiador.
‘Hot Kiss’ é o seu single mais bem-sucedido. Quando é que você descobre que acaba de compor um “gancho” musical irresistível?
É engraçado. Escrevi essa canção com Todd (Morse, guitarrista dos Licks). Tinha um gosto diferente, mas elétrico. Eu sabia que era quente cinco segundos após ouvi-la pela primeira vez. Nosso baixista não gostou. São quatro pessoas na banda, têm gostos diferentes. Então, coube a mim a decisão. Ser a líder implica nessa responsabilidade. E eu disse: é a canção de maior apelo, vamos gravar.
E o que é essa sua roupa indígena? É algum manifesto político?
Nada. Eu não sou tão política. Vestir-me como um nativo indígena é algo pessoal. O rocker é um tipo de voyeur, ele gosta de coisas que aticem sua curiosidade. É uma imagem que trata do espírito que eu gosto de projetar, da coisa da conquista. Liberdade e celebração, entende? É a forma que eu encontro, além da música, de estimular a platéia a perder-se por alguns momentos, de sair de sua redoma e entregar-se de um jeito bom, com significado.
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