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Terça-feira, 25 setembro de 2007   edições anteriores
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O balanço final de Paraíso Tropical, por Gilberto Braga

Andrezza Capanema, andrezza.capanema@grupoestado.com.br

Não adianta insistir. Gilberto Braga não revelará quem matou Taís (Alessandra Negrini) até sexta-feira, quando a identidade do assassino da gêmea má será conhecida no último capítulo de Paraíso Tropical. O autor, porém, conta outros segredos da trama em entrevista exclusiva ao Jornal da Tarde: entrega que a vilã estava marcada para morrer desde a sinopse e que perdeu o sono por conta da crise de audiência na estréia. Em férias, faz um balanço sobre o trabalho.

‘Paraíso Tropical’ está em qual posição no ranking das melhores novelas de Gilberto Braga?

Talvez seja a melhor. É a novela de melhor trama, sem barriga, pelo menos. Estou gostando muito de ver a novela todas as noites, e isso é difícil de acontecer, não sou noveleiro e sou muito exigente.

O que surpreendeu você na trama?

A Alessandra Negrini (nos papéis das gêmeas Paula e Taís) e alguns novos (atores), especialmente o Gustavo Leão (Mateus), que é maravilhoso. Ah, e a Camila Pitanga (Bebel), nunca pensei que ela fosse capaz de soltar o bicho do jeito que soltou.

E o que não funcionou?

Gostei de tudo, mas, se não gostasse de algum ator, não iria dizer.

Alguns autores se inspiram em características pessoais para criar personagens. É o seu caso? Quem mais se parece com você?

Todos, mas especialmente Cássio e Daniel, acho.

E com quem menos se identifica?

Com o Olavo, mesmo Wagner Moura sendo um gênio. Eu tenho um problema grave com inveja, que é o seu traço dominante.

Falando em Olavo, ele e Bebel são provas de que vilões podem se tornar tão populares quanto os mocinhos. Como vê essa simpatia pela ‘turma do mal’?

Estou habituado a isso, acontece desde Dancin’ Days (1978), com a Yolanda (Joana Fomm). Em Vale Tudo (1988), basta citar Maria de Fátima (Glória Pires) e Odete Roitman (Beatriz Segall), e em O Dono do Mundo (1991), Felipe Barreto (Antonio Fagundes). O mal é atraente.

Você e Ricardo Linhares dizem desde o começo que os vilões serão punidos. Em nenhum momento eles seduziram os autores?

Não, achamos que o autor de TV tem responsabilidades sociais.

A rejeição à novela na estréia surpreendeu (‘Paraíso’ chegou a registrar média de 31 pontos, número considerado baixo pela Globo)?

Eu acho a novela boa. E a audiência não é lá essas coisas nem agora, quando dá 50 (pontos). Acho que o natural seria dar 60.

O problema tirou o seu sono?

Tirou. É horrível ver publicado no jornal todas as manhãs que você está escrevendo a novela de pior audiência de todos os tempos. Claro que incomodava, e foi difícil dormir.

O Ibope influenciou a trama?

Não modificamos nada. Mas alguns personagens-chave só entraram no capítulo 30, aproximadamente, como Lúcia (Glória Pires), uma heroína forte, e seu núcleo familiar, e nesse ponto houve um erro da nossa parte. Esse tipo tranqüiliza o telespectador, ainda mais em uma novela que tem uma família tão confusa quanto a de Marion (Vera Holtz).

A morte de Taís estava prevista ou foi usada para alavancar o Ibope?

Estava prevista, mas só bolamos os detalhes quando estávamos escrevendo por volta do capítulo 50. Gosto de trabalhar com adiantamento.

Consegue circular pelas ruas sem ouvir ‘quem matou Taís?’?

Perguntam muito, mas não é desagradável. Só tenho de fugir, às vezes, de gente que tomou porre. Depois de algumas cervejas, um espectador pode ser meio mala.

Chegou a minha vez: quem matou Taís?

Um bando: nós sete (autores e colaboradores), mais os diretores e o Mário Lúcio Vaz (diretor artístico).

Só uma dica!

Não posso, lamento.

Quais seus planos agora que colocou um ponto final em ‘Paraíso’?

Estou em início de férias, aproveitando o festival de cinema (do Rio) e tenho de fazer uma cirurgia de hérnia umbilical. Depois, não sei. Adoro o Rio. Durante o horário de verão, então, é o céu.


AUTORES DEIXAM ESCAPAR PISTAS SOBRE O ASSASSINO

A cena que vai revelar a identidade do assassino de Taís é uma das mais aguardadas do último capítulo de ‘Paraíso Tropical’. Por isso, os autores desconversam quando questionados sobre o mistério. Por conta da curiosidade do telespectador, porém, Gilberto Braga e Ricardo Linhares soltaram algumas dicas sobre o caso nos últimos dias. O primeiro sinalizou que Marion, Olavo e Ivan (Bruno Gagliasso), a família mais desonesta da novela, está envolvida no crime. O segundo entregou que o motivo do assassinato vai chocar mais que o nome do responsável pelo ato. Marion deve ser apontada como a assassina. Outros desfechos que também prometem são os de Bebel - que pode perder o bebê durante uma perseguição policial e depois virar capa de revista masculina - e de Daniel (Fábio Assunção) e Paula, que fica grávida.



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