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Terça-feira, 25 setembro de 2007   edições anteriores
POLÍTICA
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  Governo faz apelo por trégua no Senado

Renan fica fora da reunião de hoje entre o líder do governo e a oposição, que só aceita acordo com aprovação do fim do voto secreto

Sem a presença do presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), o líder do governo na Casa, Romero Jucá (PMDB-RR), reúne-se hoje com a oposição para pedir trégua. Líderes do PSDB e do DEM só aceitam acordo se a base aliada se comprometer a votar a emenda que acaba com o voto secreto para cassação de mandatos.

O maior obstáculo será o próprio Renan. Ele enfrenta três processos no Conselho de Ética (leia ao lado) e ainda corre o risco de ser cassado. “Duvido que Renan ponha isso na pauta”, disse Tião Viana (PT-AC). Para ele, o peemedebista vai impedir a mudança das regras.

Jucá vai conversar com a oposição, tentando preparar o ambiente para a chegada ao Senado da emenda que prorroga a CPMF, o chamado imposto do cheque. O Planalto não tem 49 votos do total de 81 senadores para aprovar a prorrogação.

Relator da proposta que prevê o fim do voto secreto, Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE) apresentará seu parecer amanhã na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ). Ele disse que a nova regra não seria aplicada a Renan, pois só passaria a vigorar para casos que surgirem após sua aprovação. “É projeto correto e moralizador. Não é gesto pequeno para atingir a ou b”, afirmou Jarbas.

Esperando o recesso

Enquanto Jucá negocia trégua, a tropa de choque de Renan trabalha para “segurar” os processos contra o alagoano até dezembro, impedindo que eles avancem no Conselho de Ética. O objetivo é fazer com que as acusações “esfriem” até o início do recesso de final de ano, previsto para dezembro.

A estratégia tem como base na idéia de que o PT não voltará a ‘salvar’ o senador na votação das próximas denúncias. Os petistas haviam ajudado a absolver Renan com a promessa de que ele se licenciaria da presidência do Senado em seguida, mas isso não aconteceu.

O presidente do Conselho de Ética, Leomar Quintanilha (PMDB-TO), disse que vai tentar unificar duas das três representações contra Renan, na reunião de amanhã. Na semana passada, Quintanilha era contra a junção dos processos.

A medida, segundo ele, resolveria o problema da dificuldade de encontrar relatores para os processos: “Encontrar um único relator já está difícil, imagina encontrar um para cada processo”. Para Quintanilha, dá para unificar os dois últimos processos que tratam da acusação de compra de rádios por meio de laranjas e da denúncia de propina.


OS 4 PROCESSOS CONTRA RENAN CALHEIROS

LOBISTA E A JORNALISTA


O presidente do Senado foi acusado de usar dinheiro do lobista Cláudio Gontijo, da Mendes Júnior, para pagar pensão e aluguel da jornalista Mônica Veloso, com quem tem uma filha.

Absolvido pelo Senado, Renan é alvo de inquérito aberto sobre o caso no Supremo Tribunal Federal.

CERVEJARIA E LOBBY

O presidente do Senado teria atuado junto à Receita e ao INSS para reduzir multas da Schincariol, que comprou fábrica de refrigerante do irmão do senador.

O relator João Pedro (PT-AM), prometeu entregar seu parecer ao Conselho de Ética esta semana.

RÁDIO COM LARANJAS

Ex-sócio de Renan, o usineiro João Lyra acusa o senador de ter usado nome de laranjas para registrar a compra de duas emissoras de rádio e um jornal de Alagoas.

Há 40 dias a investigação está engavetada no Conselho de Ética, que ainda não nomeou um relator para o caso.

ESQUEMA DE PROPINAS

Renan também é acusado de participar de um r esquema de cobrança de propinas em ministérios sob o comando do PMDB.

Na semana passada, a Mesa Diretora do Senado aceitou a denúncia, autorizando abertura de processo no Conselho de Ética



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