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Terça-feira, 25 setembro de 2007   edições anteriores
POLÍTICA
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  Divulgação é maior gasto

Vereadores gastaram R$ 149 mil - 44% do total de R$ 332,7 mil - com serviços gráficos, impressão e correio

Mais de três semanas após o final do mês, a Câmara Municipal finalmente divulgou os gastos de agosto dos 55 vereadores paulistanos (os dados estão no www.camara.sp.gov.br). Foi o primeiro mês do novo sistema de despesas, no qual cada parlamentar pode ser reembolsado em R$ 13,3 mil para serem usados onde desejar - antes, havia limite de gasto por item. Os eleitos consumiram R$ 332,7 mil, ou uma média de R$ 6 mil cada um.

Desse total, cerca de R$ 149 mil (44%), foi destinado à divulgação do mandato dos vereadores, com serviços de diagramação, impressão, gráfica e correio. Foi a atividade mais dispendiosa registrada na Casa, ficando à frente de gastos com aluguel de carro oficial (R$ 1.472,42) e combustível, que, unidos, somaram R$ 104 mil.

Curiosamente, entre os cinco vereadores que tiveram maiores gastos da Casa, só um não teve como maior despesa individual o correio: o líder do ranking, o petista Zelão, que desembolsou apenas R$ 6,90 com o serviço postal. Ele diz que teve “prejuízo ao só poder justificar R$ 13 mil para ter o reembolso”. “Se eu pudesse gastar mais, eu gastaria. O dinheiro não é o suficiente para fazer o que a gente precisa”, afirma ele, que ficou a apenas R$ 2,87 do limite máximo de gastos mensal.

“Vou gastar muito mais com gasolina, atendendo eleitores, e só vou receber de reembolso R$ 1.500. Terei de pagar a diferença”, reclamou. Sua maior despesa foi a contratação de uma assessoria jurídica para ajudar a equipe a entender o mecanismo de justificativa de gastos com notas fiscais. “Agora arrumaram serviço a mais para a gente. Antes, a Câmara fazia tudo isso.”

Recordista no uso do correio, Abou Anni (PV) ficou a R$ 0,95 do limite mensal para o item determinado pela Mesa Diretora, de R$ 8 mil. Ele justificou a verba dizendo que se comunica com o eleitor em postagens. “Há uma licitação de transporte escolar gratuito em andamento, temos de avisar a categoria, onde há eleitores meus.” Além do próprio gabinete, a liderança do PV, hoje com Anni, também teve o maior gasto com correio: R$ 2.072.

O vereador nega que tenha sido uma tentativa de prolongar seus gastos com envio de postagens: “Não se trata só de divulgar meu gabinete, mas sim as ações das bancadas e do partido.” Questionado se não considerava curioso ser de um partido que defende o uso racional de meios como o papel e ser dono da maior despesa de Correio, Anni justificou: “O mandato independe do partido, não há só a questão ambiental, mas segurança, trânsito e outras.”

No geral, os gastos dos vereadores foram inferiores à metade do limite proposto pela Casa em abril, com a aprovação de projeto batizado de “trem da alegria”, que estabeleceu o valor das despesas em 75% do que têm direito os deputados estaduais paulistas.

O primeiro secretário da Câmara, José Américo (PT), responsável pelo setor administrativo da Casa, afirma que a mudança nos gastos vai trazer economia, mesmo com a possibilidade de gastos acumulados no mês seguinte. “Os vereadores fazem gastos diferenciados. Alguns concentram gastos com impressos ou correios no fim do ano, outros diluem ao longo dos meses. Esperamos uma economia com as alterações, mas só vamos ter uma idéia dos números no final do ano.”


CURIOSIDADES NOS GASTOS DOS VEREADORES

COMBUSTÍVEL


Toninho Paiva (PR) gastou R$ 1.418,17 com combustível, quase o equivalente ao aluguel do carro, de R$ 1.474,42. Com esse valor, é possível comprar cerca de 600 litros de combustível, mais que os 400 litros permitidos pelo sistema antigo de gastos dos
gabinetes.

COMBUSTÍVEL 2

Ainda no tema, Chico Macena (PT) apresentou gasto de R$ 432 em combustível, mas não aluga carro oficial. Sua assessoria informou que o valor foi usado para abastecer o carro próprio que o petista usa no mandato, o que é permitido pelas novas regras de gastos.

DECLARAÇÃO ‘ENCOLHE’

Adilson Amadeu (PTB) teve sua declaração “encolhida” em R$ 2,7 mil entre o que anunciou ter gasto, há duas semanas, e o que entrou no sistema, ontem. Tudo porque a Casa não teria aceito reembolsar pagamento parcelado antes de sua conclusão e teria exigido mais dados de uma nota fiscal de gasolina. Com isso, sua declaração caiu de R$ 13,3 mil para R$ 10,6 mil, saindo da lista dos principais ‘gastões’.

O MENOR

Quem gastou menos no mês foi o líder do governo, José Police Neto (PSDB), que pediu retorno
de R$ 95,45.



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