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Terça-feira, 25 setembro de 2007   edições anteriores
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  Menina morre à espera de um coração

Fernanda, 2 anos, estava internada havia 17 dias na UIT infantil do Incor; a esperança acabou ontem no fim da tarde. Apenas 40% dos que esperam pelo órgão sobrevivem

Fernanda Aranda, fernanda.aranda@grupoestado.com.br

O coraçãozinho de Fernanda, 2 anos, já batia devagar. A parada cardíaca de domingo à noite veio como um grito de socorro, implorando por um doador compatível o mais rápido possível. A pequena paciente estava correndo contra o relógio havia 17 dias. Mas a doação não chegou a tempo. Ontem, no fim da tarde, a menina entrou para a triste estatística: 60% das crianças internadas no Instituto do Coração (Incor) não resistem à espera de um transplante e morrem ainda na fila.

A esperança da mãe da garotinha, Maria Aparecida de Lima, que até os últimos segundos não soltou a mão da filha caçula, deu lugar à tristeza. “Acreditei até o fim que um doador iria aparecer. Para a Fernanda, não veio a tempo. Mas vou continuar rezando muito. No Incor, ela fez muitos amigos que ainda precisam de um transplante”, disse.

Ao todo, são quatro crianças, todas menores de 10 anos, que estão internadas na Unidade de Terapia Intensiva do Incor. Um deles é Rodrigo de Melo Marques, 3 anos, que entre os sorrisos e brincadeiras nas sessões de fisioterapia, faz até mesmo os médicos esquecerem que seu estado de saúde é tão grave.

A falta de doações de coração para crianças fez o maior instituto de cardiologia de São Paulo ficar nove meses sem conseguir realizar um único transplante infantil. Foi então que no sábado, a notícia de duas doações, em um intervalo inferior a 12 horas, deu indícios de que a situação começava a melhorar. Primeiro, um coração de um menino de 8 anos, que morreu após cair da bicicleta, salvou a vida de Nélio Alexandre, 2 anos, que desde outubro do ano passado esperava por um órgão compatível.

Algumas horas depois, foi a vez de Giovana de Paula, 6 anos, receber um coração doado por uma garota de 12 anos, que não resistiu a um traumatismo craniano. “Ficamos tão felizes com as cirurgias realizadas no Nélio e na Giovana que o nosso coração reacendeu a esperança”, disse no dia a mãe de Rodrigo, Cláudia de Melo Marques.

Os meninos de coração novo passam bem e se recuperam do transplante (veja quadro ao lado). Segundo o diretor da unidade de transplante infantil do Incor, Miguel Barbero, é preciso aumentar o número de doações “para que outras vidas possam ser salvas”.

E é a mãe de Fernanda que define como incentivar o ato. “É um jeito de deixar mais do que saudade para trás”, diz Aparecida.



ELES CONSEGUIRAM O TRANSPLANTE

NELINHO


O menino estava na fila de espera havia um ano. Seu estado de saúde era grave e ele estava na UTI. Com o seu quadro clínico era muito frágil, mesmo com o transplante, Nélio ainda respira com ajuda de aparelhos. Não há previsão de alta, mas os médicos afirmam que o garoto evolui muito bem

GIOVANA

A pequena paciente era a 10ª da fila e esperava desde julho. Recebeu em casa a notícia de um coração compatível. Ontem, saiu dos aparelhos, está comendo e brincando, mas continua na UTI



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