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Terça-feira, 25 setembro de 2007   edições anteriores
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  ONU 'ensina' alunos da rede pública

Maria Rehder, maria.rehder@grupoestado.com.br

Convencer o governo alemão a firmar parceria com a República Theca para erradicar a pobreza nas regiões de fronteira entre os dois países. Essa é a meta de Nathália Soares da Aparecida, que não é especialista em relações internacionais, mas sim uma jovem de 17 anos que cursa o 3º ano do Ensino Médio.

Nathália faz parte de um grupo de 450 alunos de escolas estaduais da Grande São Paulo que foram recrutados para participar de uma simulação da Organização das Nações Unidas (ONU), que será realizada entre 5 e 7 de outubro, na Capital, quando vão defender interesses de governantes de diversos países.

Ao longo do ano, esses estudantes e seus professores estão sendo capacitados pela ONU para debater problemas globais como pobreza, conflitos armados, proteção de refugiados e questões relacionadas aos meio ambiente. Após o evento de simulação, os 5 alunos que mais se destacarem serão contemplados com uma viagem à Nova York para conhecer escritórios da ONU.

Na escola

No entanto, não é só a viagem é considerada prêmio pelos alunos. 'Aprendi sobre países que nem sabia da existência, como a Namíbia, na África. Acho que falta esse tipo de aula nas escola públicas, pois há professores que dão aulas desmotivadoras', avalia Nathália.

Para participar, as escolas tiveram de aplicar uma prova de atualidades para que a Associação das Nações Unidas do Brasil (Anubra) pudesse recrutar os alunos para o projeto, cujo nome é Global Classrooms. 'Não tenho computador e na escola não é sempre que dá para usar a sala de informática, mas vou na casa de amigos para pesquisar e, aos domingos, compro jornal', conta Nathália.

Além dela, mais 4 alunos da Escola Estadual Alfredo Inácio Trindade, Zona Norte , participam do projeto. 'Vou representar a Eslovênia. Meu pai deu risada quando falei o nome do país', diz Marina Alves, 21 anos, aluna do 3º ano do Ensino Médio.

Resultados

A professora de língua portuguesa Ana Lúcia Pereira da Silva, que há 15 anos dá aulas na Escola Estadual Alfredo Inácio Trindade, já vê resultados. 'O poder de argumentação e interpretação dos alunos aumentou, pois eles têm de pesquisar sobre os países que defendem.'



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