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SP na contramão do País
De 95 a 2006, a renda na região metropolitana caiu e a pobreza aumentou, ao contrário do restante do Brasil
A região metropolitana de São Paulo vive uma crise de grandes proporções desde o plano Real, segundo dados apresentados pelo economista André Urani, em debate na quinta-feira no Instituto Fernando Henrique Cardoso (iFHC), em São Paulo. Baseado na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), ele constatou que, de 1995 a 2006, a renda média familiar per capita na região metropolitana de São Paulo caiu 6%, a pobreza cresceu 19,4% e a extrema pobreza aumentou 2,8%. Esses números contrastam com os do Brasil como um todo no mesmo período, que mostram que a renda cresceu 13,4%, a pobreza caiu 25,8%, e a extrema pobreza sofreu a grande redução de 62%.
“É preciso que São Paulo assuma a dimensão da sua crise, para que se possa pensar soluções”, disse Urani. Segundo o economista, a região metropolitana de São Paulo, composta por 40 municípios (incluindo a Capital), passa por um processo de convergência em relação ao resto do País. Ela ainda é melhor do que o Brasil nos indicadores de renda e pobreza, mas a diferença era muito maior em 1995.
Naquele ano, em valores atualizados pela inflação, o conglomerado metropolitano paulista tinha uma renda per capita familiar média de R$ 877, ou 71% acima da brasileira, que era de R$ 511. Em 2006, a diferença caiu para 42%, com uma renda média de R$ 824 em São Paulo, e de R$ 580 no País como um todo.
Em relação à pobreza, em 1995 o índice da região metropolitana de São Paulo era de 14,1%, apenas 41,4% do índice brasileiro de 33,92%. Em 2006, a pobreza na maior aglomeração urbana do País tinha subido para 16,71%, ou 66% do índice de 25,16% do Brasil. No caso da extrema pobreza, uma parcela de 4,6% da população da região metropolitana encaixava-se nessa categoria em 1995, o que equivalia a 32% da proporção de 14,6% dos brasileiros que estavam na mesma situação. Em 2006, os extremamente pobres na megalópole paulista eram 4,76%, ou 53% do índice para o Brasil como um todo, que ficou em 8,9%.
A linha de pobreza usada pelo Instituto de Estudos do Trabalho e Sociedade (Iets), onde Urani trabalha, é a mesma do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), e equivale a uma renda familiar per capita de R$ 167. A linha de extrema pobreza é de R$ 83. São considerados pobres ou extremamente pobres as pessoas com rendimento até essas linhas. O contingente de pobres inclui o de extremamente pobres.
Quando se examina a desigualdade, o mesmo fenômeno se repete. A região metropolitana de São Paulo tinha em 1995, com um índice de Gini de 0,544, uma situação bem melhor do que a do Brasil, para o qual o Gini era de 0,601. O índice de Gini mede a desigualdade e, variando de 0 a 1, mostra piores distribuições à medida que cresce. Em 2006, o Gini paulista era 0,543, praticamente não tendo se mexido ante 1995. No caso do Brasil, porém, o índice caiu para 0,564. Enquanto em 1995 o Gini de São Paulo era 0,06 ponto porcentual inferior ao do Brasil, em 2006 esta diferença tinha se reduzido para apenas 0,02.
Para Urani, a piora paulista era previsível, em função do processo de abertura comercial da economia brasileira nos anos 90. “Com a competição de outras partes do mundo, as indústrias, que antes permaneciam nas maiores metrópoles pelas vantagens da aglomeração, começaram a fugir dos altos custos de salário, sindicatos, segurança, etc.”, comentou. Ele observou que regiões metropolitanas como as do Rio e São Paulo (e principalmente esta) foram as maiores perdedoras do ciclo de mudanças econômicas dos anos 90. Assim, com sua capacidade de influenciar a agenda nacional, tornaram-se pólos de resistência às reformas. “Desatar o nó de São Paulo é importante para o Brasil”, disse Urani.
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