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  'Jack Bauer do mal' invade as favelas cariocas

‘O Major’, história violenta que tem como protagonista um ex-soldado do Iraque, faz correr sangue nas favelas do Rio. HQ brasileira emplacou no maior site de webcomics da net

Marco Bezzi, marco.bezzi@grupoestado.com.br

“Capitão América com guaraná; Comandos em Ação com feijoada; Jack Bauer com caipirinha.” Se os ingredientes parecem incongruentes é porque você ainda não leu O Major, webcomic dos brasileiros Hector Lima e Irapuan Luiz. A HQ acaba de ser adaptada para o site norte-americano Komikwerks, líder em publicação de Histórias em Quadrinhos na internet - o gibi também pode ser lido gratuitamente em português no site, com novas páginas no ar toda sexta-feira.

Passada nas favelas do Rio de Janeiro, O Major conta a história de um soldado recém-saído do Iraque que recebe o posto de agente militar e pula de cabeça em uma missão secreta nos perigosos morros cariocas. “A idéia veio para atualizar um personagem do tipo do Capitão América”, fala o roteirista Hector Lima, 31, autor também das definições na abertura do texto.

Hector vê na HQ veiculada pela internet um mercado novo, que deve comandar o futuro de diversas publicações. A gigante DC Comics (de títulos como Batman e Superman) vai estrear a qualquer momento seu site de HQs online. “Essas editoras grandes só entram quando há a possibilidade de se ganhar dinheiro”, comenta Hector.

Capitão América 2007

Outra vantagem que o autor enxerga nessa “nova” mídia é a possibilidade de estabelecer temas mais polêmicos em suas páginas. “As grandes editoras não costumam mexer com temas como este.” O Major, segundo seu autor, trata com ironia a dominação sem escrúpulos de um agente norte-americano, não só no Brasil - as favelas brasileiras serão apenas o primeiro alvo do Major. Depois do Rio de Janeiro virão México e Europa.

As influências, além do Capitão América, vêm de seriados como 24 Horas e de HQs como Watchmen. “O personagem principal é uma espécie de Jack Bauer, que mata com o propósito de servir sua pátria independente do preço que aquilo vai custar para o ‘inimigo’. Mas diferentemente de Bauer, que acaba refletindo sobre sua postura após cada ação, nosso personagem não tem escrúpulos, é racista, tortura e mata sem dó quem aparecer na sua frente”, explica Hector. Segundo o roteirista, alguns personagens coadjuvantes farão o papel de ‘boas almas’ para equilibrar a sangria.

Mercado (i)legal

Assim como a difusão da música digital, a tendência é que cada vez mais autores adentrem para o mundo online. Autores de O Major, Hector Lima e o ilustrador curitibano Irapuan Luiz, 35, ganharão salários trimestrais do site Komikwerks. “Não dá para sobreviver, mas já é um começo”, fala Hector.

Os dois, que já tiveram trabalhos publicados no exterior, concordam que as pessoas estão acordando para o potencial do webcomic. “Por causa de nosso trabalho na internet, uma editora independente norte-americana pretende lançar O Major no formato papel em 2008”, anima-se Hector.

Nos EUA, além de parte da publicidade dos sites ir para os artistas, merchandisings como camisetas sustentam os autores. Outra forma de se arrecadar dinheiro com o trabalho são os downloads legais - prática muito mais comum no exterior do que no Brasil. Por enquanto.

“Queremos entrar em todas as mídias no momento. Queremos ser vistos”, diz Hector.



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