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Líder do PSDB na mira
Silvia Amorim
O escândalo da máfia das obras da Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano (CDHU), do governo paulista, chegou à Assembléia Legislativa. O Ministério Público Estadual comunicou à Procuradoria Geral de Justiça (PGJ) sobre a existência de indícios que ligam o deputado estadual Mauro Bragato, líder do PSDB na Casa, com a organização criminosa denunciada no mês passado sob a acusação de fraudar licitações e superfaturar casas populares na região de Presidente Prudente, base eleitoral de Bragato.
O tucano foi secretário da Habitação do ex-governador Geraldo Alckmin (PSDB) entre maio de 2004 e janeiro de 2005, e secretário-adjunto da mesma pasta de 2003 a 2004. Em 2005, assumiu cadeira na Assembléia e se reelegeu em 2006. Por ser deputado, Bragato tem foro privilegiado e só pode ser investigado pela Procuradoria Geral.
A Promotoria encaminhou à PGJ toda a documentação colhida na investigação. Segundo os documentos, o deputado teria recebido propina da empreiteira mentora do esquema, a FT Construções. O dono da empresa, Francisco Emílio de Oliveira, está preso. Os valores, aponta o material, seriam variados, de R$ 1,5 mil a R$ 4 mil.
O pagamento de propina foi denunciado, em depoimento, por um dos réus no processo, Edson Meneses, prestador de serviços à empreiteira. À polícia, ele informou que entregou, entre 2002 e 2006, diversos envelopes contendo dinheiro para o escritório político de Bragato, em Presidente Prudente, a pedido de funcionários da empreiteira, que identificou só como Celso e Hélio.
Segundo ele, os envelopes eram entregues a um homem identificado como Avancini, que dizia ser assessor do deputado. “Do escritório do Chico, mandaram entregar isso aqui”, disse Meneses à polícia, relatando como seria feito o pagamento de propina. Ele disse ainda que nenhum recibo era entregue para confirmar o repasse e que foi escolhido para entregar o dinheiro por ser filiado ao PSDB e conhecer o escritório do deputado.
Durante as investigações, foram apreendidos vários documentos nos escritórios das empresas investigadas, entre eles livros-caixa da FT. Neles, aparece uma relação de nomes ao lado de valores associados à sigla QLN. O código foi identificado por dois ex-funcionários da empresa ouvidos pela polícia. Significariam “Quanto levo nisso”, referência a pagamentos de propina. Várias vezes, no lugar do nome, aparecem siglas, entre elas MBR, que um dos depoentes afirmou serem as iniciais de Mauro Bragato, e valores de R$ 2 mil, R$ 3 mil e R$ 4 mil.
Diante dos suposto envolvimento do deputado com a organização criminosa, a Delegacia Seccional de Presidente Prudente encaminhou depoimentos e cópias do material à Justiça, que, por sua vez, os repassou à Promotoria local. Por se tratar de autoridade com foro privilegiado, toda a documentação foi remetida à Procuradoria Geral.
O esquema foi descoberto pela polícia em 16 de maio, quando 17 pessoas foram presas. As investigações apontam o desvio de pelo menos R$ 135 milhões dos cofres públicos nos últimos seis anos.
Tucano nega denúncias
Bragato negou as denúncias e as atribuiu a adversários políticos, mas não citou nomes. O tucano não falou com a reportagem. Em nota, ele informa que “todas as providências judiciais cabíveis serão tomadas contra qualquer associação da sua imagem de homem público à eventual irregularidade”.
Ele alega ainda que entre 2003 e 2004 não era deputado nem tinha escritório em Prudente. Um dos locais mencionados em depoimento, segundo Bragato, é o escritório do PSDB, onde está hoje, também, seu escritório. ()
IRREGULARIDADES NO GOVERNO DE SP
>R$ 135 milhões teriam sido desviados pela ‘máfia da CDHU’ da verba destinada pelo governo paulista à construção de moradias populares no Estado, segundo investigações da Polícia Civil
>R$ 2 mil a R$ 4 mil seriam os valores destinados ao deputado Mauro Bragato (PSDB), líder do partido na Assembléia e ex-secretário de Habitação do governo Geraldo Alckmin
>17 pessoas foram presas pela polícia em 16 de maio, quando foi feita operação para desmantelar a quadrilha
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