| |
Aqui, lixo é igual a energia
Usina termoelétrica será inaugurada amanhã
DANIEL GONZALES, daniel.gonzales@grupoestado.com.br
Uma usina termoelétrica com capacidade para gerar 20 MW (megawatts) de energia elétrica, o suficiente para abastecer 300 mil residências (ou um bairro como São Mateus) começa a ganhar vida amanhã na Capital.
A matéria-prima que será utilizada pela nova unidade para produzir força é o gás metano, produzido pela decomposição do lixo doméstico - restos de comida, de vegetação e materiais orgânicos em geral.
A Usina São João, que vai utilizar três queimadores importados da Suíça, está localizada na Avenida Sapopemba, em São Mateus, Zona Leste, dentro do Aterro São João (um dos dois grandes aterros sanitários que recebem o lixo de São Paulo). Ali, chegam, diariamente, 7 mil toneladas de lixo doméstico. É como se 500 ônibus cheios de entulho e dejetos fossem despejados dia após dia no espaço.
A usina que vai aproveitar o potencial energético do lixo será inaugurada amanhã pelo prefeito Gilberto Kassab (DEM). Começou a ser construída em novembro pela São João Engenharia Ambiental SA. A empresa é de propriedade da Biogás Engenharia Ambiental, que, por sua vez, é formada por três outras companhias que detêm o contrato para a operação do aterro.
Usina Bandeirantes
A Usina São João é semelhante, em tamanho e capacidade, a uma unidade que já opera desde 2006 no outro grande aterro paulistano, o Bandeirantes, que fica em Perus, Zona Oeste. Inicialmente, explica o engenheiro Júlio César do Prado Júnior, diretor técnico da São João, ela não produzirá energia elétrica.
A primeira fase de operações, que vai até dezembro, prevê apenas a queima do metano, de modo a reduzir os danos que o escape do gás causa à atmosfera, como o aumento do efeito estufa. 'Com a queima do metano, reduzimos em 21 vezes esses riscos', explica.
Uma rede de 30 km de tubos, com diâmetros que variam de 11 a 31 centímetros foi instalada por toda a área do aterro, de 500 mil m2.
Poluição menor
Em janeiro, começa a segunda fase de funcionamento: serão instaladas conexões dos queimadores a três geradores, que serão movimentados pelo gás gerado como subproduto da queima do metano - principalmente o monóxido de carbono e o dióxido de carbono.
Apesar de ainda poluentes, eles têm potencial destrutivo bem menor que o metano. Os geradores ficarão ligados a uma estação que elevará a tensão a 34.500 volts. Dali, uma linha vai levar a energia para a estação mais próxima da Eletropaulo, a Nações, que fica a 14 km do aterro, para ser jogada na rede normal.
Os três equipamentos queimadores fabricados e importados da Suíça podem eliminar juntos, segundo Prado Jr., até 15.000 m3 de metano por hora.
ATÉ 160 METROS DE ALTURA
O aterro São João recebe lixo de 6 milhões de habitantes na área de 18 subprefeituras do eixo Leste-Sul da Cidade. O aterro é formado, hoje, por sucessivas camadas de lixo, cada uma com 5 metros de altura. As três últimas camadas, previstas para serem colocadas sobre as demais até o fim da vida útil, em outubro, devem estourar o limite de operações para qual a área foi projetada, em 1992: 160 metros de altura
|