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São Paulo redescoberta
Retirada das barracas melhora visual da Cidade
DANIEL GONZALES, , daniel.gonzales@grupoestado.com.br
Lugares de São Paulo que nunca tinham sido vistos nos últimos 15 ou 20 anos renasceram do mar de lonas, barracas e tabuleiros que os escondiam dos olhos dos paulistanos. As imagens são da Secretaria Municipal de Subprefeituras, e mostram o 'antes' e o 'depois' de pontos como o Largo da Concórdia (Brás), Largo 13 (Santo Amaro) e o centro comercial de São Miguel Paulista (Zona Leste). Novos pontos, como a Rua 25 de Março, também devem ser fotografados sem os ambulantes.
Todos ocupados por camelôs há anos, os espaços, limpos depois da operação 'linha dura' da Prefeitura contra o comércio irregular, devem continuar sem ambulantes daqui para a frente. Pelo menos é o que promete o secretário municipal de Coordenação de Subprefeituras, Andrea Matarazzo. Segundo ele, deverá haver cada vez menos camelôs na Cidade. E cada vez mais fiscalização. 'É um trabalho de longo prazo.'
Hoje, são 5 mil os camelôs que têm o termo de permissão de uso (TPU) e lugares demarcados para trabalhar na Capital. No entanto, Matarazzo ressalta que conforme eles forem vencendo ou se tornando irregulares, não serão renovados. 'Muitos vão se tornando ilegais porque não resistem à tentação de comercializar produtos piratas', diz . Quando isso ocorre, o ambulante, se flagrado, perde a licença. A missão da Prefeitura, no entanto, não deve ser fácil. Os choques entre vendedores ambulantes e fiscais da Prefeitura e polícia, na região do Largo da Concórdia, no Brás, evidenciaram que os irregulares ainda vão brigar por espaço.
O presidente do Sindicato dos Camelôs Independentes de São Paulo (Sindcisp), Afonso José da Silva, promete resistência e mais protestos. Segundo ele, a Prefeitura quer 'eliminar' a categoria da região. Muitos camelôs, segundo o sindicato, pagaram R$ 15 à Prefeitura para conseguir o TPU, mas o pedido do documento foi indeferido. Por conta disso, o subprefeito da Mooca, Eduardo Odloak, teve o carro cercado e chutado por 200 camelôs, na quarta-feira passada.
Para se adequar aos tempos de fiscalização o modo de trabalho dos camelôs mudou de três anos para cá. Pensando em formas criativas de escapar da fiscalização, os ambulantes substituíram as barracas pelo chamado 'siri' - uma lona que fica no chão, sob a mercadoria. Para fugir rapidamente, a lona é fechada por cordas amarradas nas pontas, tal como um pára-quedas. Hoje, praticamente só os legalizados montam barracas nas ruas. Outra moda são os catálogos. O comprador escolhe o CD ou DVD pirata numa pasta e o ambulante retorna com a mercadoria que traz de um depósito.
Largo 13 de Maio Sem barracas
Os camelôs do Largo 13 de Maio ficaram conhecidos pela inovação. Em 2004, eles foram os primeiros a aceitar cartão de crédito. Mas no ano passado, depois de 15 anos de ocupação do largo, foi deflagrada a “limpeza”: metade dos 200 que tinham barracas montadas ali foram para boxes no Pop Centro. Hoje, há cerca de 800 irregulares no bairro
Centro de São Miguel Trânsito livre
Nas ruas que compõem o centro comercial de São Miguel Paulista, os camelôs haviam tirado não só o espaço dos pedestres, mas dos carros. A operação de retirada começou no Natal passado e, em janeiro, os ambulantes promoveram protestos violentos e obrigaram os comerciantes a baixar as portas, fechando ruas como Serra Dourada e Capitão Francisco Carvalho. A PM e a Guarda Civil rechaçaram as manifestações. Dos 1.500 ambulantes da área, 520 têm licença
Praça Floriano Peixoto Apareceu o coreto
Na Praça Floriano Peixoto, em Santo Amaro, eram pelo menos 300 os ambulantes que loteavam o espaço, praticamente na porta da Subprefeitura. Eles foram retirados em março e cerca de 30% também foram para o Pop Centro do bairro. Quase invisível, bem no centro da praça, reapareceu o coreto. Nos postes da região foram removidos cerca de 250 “gatos” - ligações clandestinas de energia
Praça Agente Cícero Calçadas à vista
Na Praça Agente Cícero, na região do Largo da Concórdia, em frente da Estação Brás da CPTM, tinha de tudo: camelôs que vendiam panelas, chinelos, roupas, sapatos, alimentos e até os que montaram uma banquinha de bingo para atrair apostadores que passavam ali. Entre idas e vindas, a retirada dos 200 ambulantes começou em abril de 2006. A reforma da praça ainda não terminou
Largo da Concórdia Jardins ressurgem
Com a retirada dos 1.000 camelôs, o Largo da Concórdia ressurgiu. Nenhum deverá ficar na área: 600 têm a autorização para trabalhar, mas vêm sendo remanejados para outros locais. Os próximos alvos da fiscalização contra o comércio irregular na região serão, segundo o subprefeito Matarazzo, as Ruas Oriente e Miller.
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