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Violência pode ser trabalhada em casa
Psicóloga ouvida pelo JT entende que a ‘maldade’ dos desenhos acaba sendo diluída pela postura às vezes positiva de alguns de seus personagens
É quase uma lei: desenho, para ser bom, tem de ter muita perseguição, explosões e uma pitada de maldade. Tanto as chamadas animações clássicas, como Pica-Pau, Tom & Jerry e Popeye, quanto as mais novas, como Avatar e os heróis Homem-Aranha e Liga da Justiça, têm esses elementos. Será que tanta violência e malandragem não fazem mal para as crianças?
“A verdade é que a fascinação pelo mito do herói e do vilão sempre vai existir. Isso não é uma coisa de outro mundo”, garante a professora Maria Ângela Barbato Carneiro, do Departamento de Fundamentação da Educação da Pontifícia Universidade Católica (PUC).
A professora, que desenvolve um trabalho com crianças a partir de brincadeiras, diz que os desenhos antigos não apresentam uma violência tão explícita quanto os mais recentes. “O desenho do Pica-Pau, por exemplo, é um vilão, mas a maneira como isso é colocado não é tão ostensiva. Ele é um personagem que sempre consegue sair de todas as situações desfavoráveis. Se isso for bem trabalhado com a criança, acaba ensinando como lidar com algumas coisas da vida”, explica.
Para a psicóloga, o contexto mudou tanto nos últimos tempos que , que o poderia ser considerado violento em outras épocas, agora soa leve. “Nós vivemos uma realidade violenta, agressiva, o que se reflete nos desenhos”, diz a psicóloga. Entretanto, ela entende que a falta de tempo dos pais atrapalha o diálogo sobre o que os filhos conferem na televisão. “Falta conversar, trabalhar melhor tudo isso.”
Maria Ângela Carneiro garante que ainda existem desenhos muito bons e educativos ao alcance dos pequenos. “A TV Cultura apresenta o Pingu, que tem sempre histórias muito bonitas e com lições importantes, sem deixar de ter os elementos atrativos para quem está assistindo.” Fica a dica.
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