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Uma turma do barulho
Os anos se passam e eles só ganham força. Afinal, como Pica-Pau e seus amigos dão até 14 pontos de Ibope?
A Record decidiu usar um astro veterano para alavancar sua programação. Ele já passou pelo SBT e pela Globo, nunca decepcionou, mas é na atual casa que se mostrou um verdadeiro trunfo. O senhor Pica-Pau, um passarinho amalucado e até um pouco cruel, tem atingido mais de 10 pontos de média em um horário tradicionalmente reservado para novelas e jornalísticos - 19h30. Na segunda-feira, o desenho animado atingiu 14 pontos no ibope, com pico de 17, um verdadeiro fenômeno.
Criado por Walter Lantz nos anos 40 para apimentar as histórias do urso Andy Panda, em pouco tempo o pássaro espertalhão e com a gargalhada mais famosa dos desenhos ganhou um show próprio. No Brasil, foi um dos programas pioneiros na TV e até é cultuado. No site de relacionamentos Orkut, o Pica-Pau tem cerca de 800 comunidades apenas no País. Uma das mais famosas delas, Pica-Pau desce as cataratas (em alusão a um dos episódios mais queridos da série), já ultrapassou os 100 mil associados, que comemoram o sucesso de seu ídolo nas telas. “Troco qualquer coisa para ver os desenhos do Pica-Pau. Assisto na Record, no Boomerang (canal de TV paga) e acompanho tudo sobre o assunto”, diz Ricardo Leo, 30 anos, um dos donos da comunidade virtual.
Ele conta que, em um dos tópicos mais recentes, trata exatamente do fenômeno de audiência que o Pica-Pau está provocando na Record. “O desenho é um curinga, praticamente o ‘Chaves da Record’. Colocam de tarde, dá ibope. Colocam de noite, dá ibope mais alto ainda”, filosofa o auxiliar administrativo, que acredita que os maiores fãs da animação são fãs antigos. “Na comunidade do Orkut, a maior parte é de pessoas que cresceram vendo Pica-Pau. Eu tenho uma sobrinha que começou a gostar por minha causa”.
A veterinária Priscila Haluschko Manso, 22 anos, dá força à teoria de que os fãs do desenho veterano já saíram das fraldas faz tempo. Mas, negando uma onda saudosista, ela diz que não gostava muito do personagem de cabeça vermelha e penas azuis quando era criança.
“Eu sempre o achei muito maldoso. Até hoje, não consigo pensar em uma coisa boa que o Pica-Pau tenha feito. Mas, com a idade, aprendi a não me importar com o que ele faz da vida”, brinca Priscila, que acompanha as peripécias do passarinho no primeiro horário de exibição, às 13h.
No pacote negociado com a Universal, a Record tem direito aos episódios clássicos e a uma nova leva de desenhos, que foram produzidos a partir de 1999. O último responsável pela gargalhada do Pica-Pau, Marco Antônio Costa, também está muito feliz com a boa repercussão do desenho, mas não se diz surpreso. “Tudo que é clássico dá ibope. Numa época, o SBT atingiu ótimos índices com o Tom & Jerry, que também é muito antigo”, opina ele, que foi escolhido para o trabalho por se aproximar da voz de Olney Cazarré, o primeiro dublador do astro por aqui. “Era um desenho que eu acompanhava quando criança, por isso fiquei feliz, mas é muita responsabilidade assumir um trabalho como esse”, afirma o dublador, que já trabalhou com Toy Story e Looney Tunes.
Outros velhinhos
Se Pica-Pau voltou a ser um dos desenhos mais queridos, há animações que nunca saem de moda, como Mickey e Donald (exibido na TV Xuxa, da Globo)e Pernalonga, Patolino e Scooby-Doo (do SBT). Mesmo sem o colorido e as histórias modernas de novidades como Bob Esponja e Meninas Superpoderosas, clássicos como Os Jetsons e Flinstones ainda fazem a alegria da garotada nas manhãs. “Não fico pensando se um desenho é velho ou novo quando ele está na TV. Gosto mesmo é de desenho com história boa, engraçada”, explica Nathália Peres, de 8 anos. Thaís Kuzman
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