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Sábado, 19 maio de 2007   edições anteriores
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  'O que eu faço? Vou viver enclausurado?'

O ator Edu Moscovis fez seu desabafo sobre a sensação de sempre ter uma câmera apontada para si. Foi a maior reação de um artista contra fotógrafos

Seja nas bofetadas de Latino em um paparazzi ou nos chacoalhões desferidos por Luana Piovani em um cameraman, a ira dos artistas culminou em um desabafo relatado semanas atrás pelo ator Eduardo Moscovis, e reproduzido em sites e colunas especializadas. A seguir, trechos da mensagem:
“Esse é um documento-desabafo, um pedido de ajuda, uma denúncia ou, simplesmente, um relato. Não quero parecer egoísta nem alheio à crítica realidade, por isso peço que sejam tolerantes se acharem que o que me angustia é pouco ou de menor relevância diante das barbaridades e impunidades.”
“Necessito compartilhar esse momento publicamente. Aliás, é sobre esse termo e suas várias interpretações que gostaria de discutir: o que é ser público? Aparecer em milhões de aparelhos de TV me torna pessoa reconhecida publicamente, mas o que isso quer dizer exatamente? Que devo acatar qualquer tipo de abordagem, educada ou não, a qualquer momento? Como devo agir quando estou na mira de celulares com câmeras de altíssimo alcance e refinamento tecnológico?...”

“Tu não é público? Paga esse preço”, costumo ouvir. (...) Mas, as revistas especializadas oferecem um cachê (ou seria uma recompensa?) caso você, “mortal comum” ao se deparar com um desses que são públicos, bata uma foto. Essas revistas (de fofocas) estimulam um comportamento furtivo, invasivo e desrespeitoso, incitando os leitores a serem paparazzi, também. Como distinguir quem é o fã?

(...) Há pouco mais de um mês, fui interceptado pelo meu vizinho dos fundos. Ele me contou ter sido abordado por fotógrafos, que lhe ofereceram dinheiro para deixar que fotografassem o quarto das minhas filhas e do bebê que vai nascer. Semana passada, a mãe de uma atriz e uma diretora de teatro, também vizinhas, me disseram ter recebido a mesma oferta de ‘fotógrafos especializados’.

(...) Devo ainda fechar as cortinas e viver enclausurado porque pode ser que haja em algum apartamento próximo alguém empenhado em expor minha família? Dentro da minha casa? Podem me fotografar com minhas filhas em qualquer lugar, sem a minha autorização? Podem mostrar o rosto delas? Mesmo menores? EU sou a celebridade e não elas.

Porque, quando sai a foto de um ser humano de 16 anos que arrastou um anjo inofensivo por 7 km, o rosto dele é desfocado? Qual é a lógica? Querem preservar esse (e tantos outros) assassino? E minhas filhas? Quem preserva?

(...) Aproveito para agradecer aos vizinhos que me alertaram e peço aos outros que não cedam a esse assédio desqualificado e desonroso. Que nós consigamos nos manter à parte disso tudo...”



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